O orçamento.

O grande tema da actualidade é o orçamento. Durante estas ultimas semanas não se tem falado de outra coisa. As suas implicações nas famílias mais desfavorecidas, o seu impacto negativo a nível económico no futuro de Portugal, a luta obsessiva pelo défice e agora uma eventual crise politica por motivo de possível chumbo parlamentar.  Antes de mais importa referir que o orçamento para 2011 é um enorme sacrifício para as famílias portuguesas.  As ajudas sociais vão diminuir ou mesmo desaparecer enquanto que a carga fiscal vai aumentar. O que não se compreende é como é possível que as famílias de classe média ou média baixa contribuam tanto ou mais para o pagamento do défice enquanto que havia outras formas de contribuir  para que este não ultrapasse os 4,5% como é intenção do governo. Só para dar um exemplo: a extinção de fundações, de serviços públicos que só dão prejuízo pouparia certamente dinheiro ao Estado.  O facto é que por detrás de tudo há o jogo de interesses políticos e económicos do tipo “fizeste-me este favor na assembleia eu tenho um lugar à tua disposição na minha empresa”. A isto chama-se corrupção e quem paga estes abusos é o povo. Ora uma das consequências deste orçamento, talvez das mais negativas, é a mudança do sistema social.  A saúde económica de um pais mede-se pela riqueza da sua classe média. Em Portugal esta arrisca-se cada vez mais a desaparecer dando lugar a uma classe opulenta, de grandes capitais e outra de subsistência, vivendo muitas vezes de solidariedade e sem perspectivas de subir a um nível superior nos tempos mais próximos. Isto leva a que? A mais violência, mais criminalidade, mais pessimismo. Se nada for feito vai-se chegar a um ponto de desistência tao evidente que as pessoas já desligadas da politica vão-se deixar levar pelos acontecimentos sem fazerem nenhum esforço para mudar.  A não ser que haja um acontecimento extraordinario quase revolucionario, arriscamos a ter um pais adormecido, sem sonhos ou desejos, sem ambição ou sede de vitoria. Se para muitos é importante que o orçamento passe e algumas das suas razoes são bem fundamentadas não se pode por tudo em nome das condições impostas pela União Europeia ou pelo sistema financeiro internacional. Regressando ao tema da crise além da crise económica podemos estar perto duma crise politica repetindo o cenário do inicio dos anos 80. Ora se o povo fosse mais revindicativo talvez as coisas se passassem de um outro modo mas vivemos distraídos pelo eldorado dos fundos comunitários, acreditamos ingenuamente na mudança enquanto outros se aproveitavam. O resultado é um regresso ao passado talvez ainda mais duro do que nessa época.  Quanto ao orçamento actual, apesar do falhanço nas negociações entre os dois principais partidos, ele vai passar na generalidade pelo menos devido à abstenção do PSD. Os sinais são mais do que evidentes e se acontecer outra coisa que não esta, então é a maior surpresa politica dos últimos anos. Para o bem e para o mal de Portugal.

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A crise do costume

Como ja é do conhecimento geral o governo anunciou ontem medidas de austeridade a fim de combater o enorme défice que existe neste momento no pais. Infelizmente e como ja vem sido habitual o governo escolheu sacrificar as classes média e media baixa que suportarao a maior parte das medidas agora anunciadas. Algumas delas sao tao injustas que pergunto-me como pode um povo ficar adormecido perante tamanha falta de respeito pelos que têm de fazer mais pela vida. Nunca o pais esteve tao mal a nivel economico e social como agora desde o final dos anos 70 e as coisas nao parecem ir pelo caminho certo pois ja se prevê uma nova recessao no final do ano. O pais que teve um periodo de expansao economica e de desenvolvimento entre o meado dos anos 80 e mais ou menos até ao ano 2000, volta agora para tras, tendo os mesmos problemas de antes deste periodo. O facto é que esta crise ja estava anunciada ha muito. Os indicativos foram anunciados e varias pessoas avisaram mas ninguém quis saber. Quando esta tudo bem, ninguém se quer chatear.  Assim e enumerando alguns tivemos o mau aproveitamento dos fundos comunitarios, a nao modernizaçao de empresas e a nao-requalificaçao, os gastos expensivos do Estado com a administraçao, os abusos da banca e das grandes empresas em termos de preços de serviços e produtos e a falta de controlo por parte dos governos, o desinteresse e nao-desenvolvimento do ensino, o aumento de salario muito baixo em comparaçao com o aumento dos preços fazendo com que o poder de compra fosse baixo e por conseguinte o arranque economico também. Estas foram algumas das atitudes que levaram a esta situaçao insustentavel. Portugal entrado na Uniao Europeia tera pensado que a partir dai sera o principio da subida do nivel de vida e da riqueza. Infelizmente esquecemo-nos ou nao tivemos interesse em saber que era preciso mais do que receber o dinheiro da Uniao. O que houve foi uma transformaçao de fachada “para inglês ver” sem que houvesse uma real mudança naquilo em que realmente era necessario: medidas serias e objectivas por parte de todos e para o bem de todos. Infelimente muitos pagam a crise e poucos nao pagam tanto como deviam.
Esta crise acarreta consequências graves para as familias nao so a nivel economico como é obvio mas também a nivel social.  Dois exemplos: o aumento da emigraçao e a subida da violência de rua. Se nada for feito surgirao novos bairros ligados à droga e aos roubos e estes micro-cosmos citadinos estarao na origem de conflitos sociais que poderiam ser evitados se durante todos estes anos todos cumprissem a sua parte. Infelizmente o povo português nao parece ter muito o habito de protestar.  Talvez que agora com estas medidas o povo acorde para aquilo que é um auntentico pesadelo.
Porugal sera um dia um pais rico? Bem com este tipo de mentalidade nao me parece. Nao basta construir, tem-se de    mudar as fases do desenvolvimento economico. entretanto os portugueses vao vivendo coomo podem.

Crise de desperdicios.

As situaçoes de pobreza aumentam em Portugal. Aparecem cada vez mais historias de familias que viviam bem e que agora têm de pedir ajuda. Imagine-se o que sera das familias mais pobres. A crise que actualmente atravessamos, ja se sabe que nao é igual às anteriores. Ela provem de uma conjuntura externa associada a uma conjuntura interna. é também uma crise social e de valores que parece significar um novo mundo onde imperara o pessimismo e o derespeito. As coisas a continuarem assim farao com que no futuro os jovens e nao so esqueçam mais o respeito pelos outros e façam coisas que nunca fariam se tivessem bem economicamente. Alguns dizem que o que se passa actualemente vai piorar ainda mais e chegar a um ponto de nao retorno. Falo dos assaltos, da violência, dos gangues etc. Eu ainda acredito que é possivel evitar isso e ter um pais onde as pessoas possam viver em paz e num estado economico desenvolvido. Onde as pessoas tenham uma segurança social em condiçoes , onde os salarios sejam salarios de jeito, onde possam sair de casa em segurança, onde haja emprego e nao trabalho precario. Mas para isso é preciso que as pessoas que estao em altos cargos nao se preocupem somente com historias de poder e de lutas. O que se passa actualmente é uma autentica vergonha. Os lideres partidarios passam a vida a trocar acusaçoes em vez de terem ideias concretas para o desenvolvimento do pais. Atençao que eu sei que isso nao é so em Portugal e nao é so de agora. Faz parte da politica a luta e o combate. Mas também deve fazer parte dela e isso ainda de forma mais prioritaria, o interesse pela sorte dos cidadaos do pais. Para isso é que os elegemos e nao para virem com discursos de que tudo vai mal para uns e para os outros nao é tanto assim. Por causa disso o deseinteresse pela politica é cada vez maior, prinicipalmente entre os jovens. Mas eu ja disse e torno a dizer: os politicos agradecem.
Pois que os politicos terao tendencia a tentar mais coisas contra o interesse geral e subtilmente farao aprovar leis em beneficio dos que nao precisam. Mas como o povo esta a abandonar o interesse pelo que os governantes fazem e a oposiçao propoem, estes nao se sentem tao constrangidos. A crise poderia ser um incentivo para um grande salto e uma mudança nas mentalidades mas essa oportunidade parece estar a desaparecer.

Medidas talvez desnecessarias mas irreversiveis.

O governo pondera agora tomar medidas extraordinarias de austeridade com o objectivo de fazer descer o défice ainda este ano para 7,3 por cento. Essas medidas consistirao provavelmente no aumento do IVA e em cortes no subsidio de natal. E sao medidas que afectarao tanto o sector publico como o sector privado. Assim mais uma vez Portugal passa por dificuldades economicas e financeiras que nos obrigam a todos a fazer sacrificios. A acrescentar a isto temos ainda a pressao feita pelos paises do EURO em relaçao a Portugal mas também a Espanha para combaterem o défice publico. Ora nao querendo agora fazer uma avaliçao da influência do EURO em Portugal, gostaria no entanto de tecer algumas consideraçoes sobre estas medidas de austeridade. Antes de mais, importa pensar a crise actual como nascida de origem internacional e nacional. Sendo um pais pequeno e quase sem recursos naturais, Portugal é um pais muito dependente do estrangeiro tanto a nivel economico como financeiro. Por isso quando ha uma crise externa somos facilmente afectados. Depois o facto de nao termos muitos recursos e os que temos estarem alguns mal aproveitados como o turismo, podia fazer com que se apostasse mais no conhecimento, na educaçao, na produtividade. Mas infelizmente o nivel de educaçao em Portugal é muito inferior ao resto da europa e a nossa produtividade a nivel laboral também deixa muito a desejar em comparaçao com o resto da Uniao Europeia. A verdade é que andamos sempre a queixar-nos da eterna crise que parece nunca querer largar o pais quando temos tudo para colocar o nosso pais num patamar muito melhor do que esta. Ja escrevi num texto anterior e volto a escrever: enquanto nao se acabar com certas atitudes enraizadas na nossa sociedade o pais nao podera avançar. é preciso incentivar à organizaçao, a uma melhor produtividade, ao gosto pelo trabalho, a acreditar em si proprio. é preciso acabar com a politica de interesses, com o compadrio, com o desalento, com a prevalencia cada vez maior da economia sobre a politica. Os grandes grupos e interesses economicos têm uma força cada vez maior sobre as forças politicas influenciando, mesmo que nao o admitam, algumas decisoes politicas. Ora um governo de qualquer pais deve estar acima de qualquer influencia exterior a nao ser o interesse pela melhoria da populaçao em geral. Evidentemente que as forças economicas e politicas devem trabalhar em conjunto e nao anularem-se umas às outras. Talvez nao fosse preciso estas medidas mas agora que o mais certo é serem postas em practica, temos de aguentar, senao o resultado seria muito pior. Mas é certo que o futuro nao pode continuar assim.

A crise social

Nao se tem falado agora de outra coisa que nao seja a crise grega e os futuros seguidores nessa crise como a Espanha ou a Italia. Sabemos que esta crise economica internacional dura ha muito tempo, que tem atingido varios paises e que alguns têm recuperado mais facilmente do que outros. E porque esta diferença? Simplesmente porque certos povos acreditam enquanto outros perdem muito facilmente a esperança. A crise nao é culpa so dos ricos que pagam mal e recebem mais do que merecem ou so daqueles que nao querem trabalhar e vivem à custa dos que trabalham. A crise é culpa de todos. Mesmo daqueles que pensam que estao isentos de qualquer responsabilidade. Podem pagar os impostos e podem trabalhar mas nao se livram de uma falta de responsablizaçao social. Todos temos um papel por minimo que seja na edificaçao de um futuro melhor. Podemos nao perceber nada de economia ou finanças mas o futuro de um pais nao passa so pelos numeros mas também pelas actividades, pelos gestos, pelas atitudes que levam a um pais melhor e mais solidario. é compreensivel a revolta de uma populaçao triste, desalentada contra uma sociedade onde a discrepancia entre ricos e pobres tem aumentado e onde certos ricos ganham muito mais num exagero sem justificaçao nenhuma, do que aquilo que deviam ganhar. Mas se as coisas continuarem assim, so os ricos é que vao aproveitar da situaçao. E é por isso que nao se pode desistir de lutar pelo nosso futuro. Um futuro que é também o futuro de Portugal. Os povos do sul incluindo o português sao pessimistas por natureza. Alias os portugueses exageram no pessimismo. Dizem que ha razao pra isso. Pode ser verdade, mas isso nao impede que esse pessimismo contribua e muito para um mau futuro do nosso pais. E é isso que nao podemos deixar que aconteça. Portugal precisa de nos e nos precisamos de Portugal.