O absurdo da violência

      A mulher que aparece nesta fotografia é de nacionalidade romena e vivia em Itália. Não sei se nasceu la ou se era imigrante mas sendo estrangeira, tinha ido em busca do sonho de uma vida melhor que o seu pais não dava. E não parecia estar a sair-se mal. Era enfermeira.  O seu sonho acabou ontem num hospital de Roma, vitima de um acto absurdo e estúpido que independentemente de ser propositado ou não, fez com que  ficasse em estado de coma e ontem passado uma semana, falecesse. Chamava-se Maricica Hahaianula e tinha 32 anos. No link abaixo é possível ler a noticia e ver a agressão em vídeo.
      A primeira coisa em que pensamos é como foi possível acontecer uma coisa destas? Como foi possível que a vida de uma pessoa tivesse acabado por causa de um motivo tão fútil? Se a violência não tem razão de ser, em alguns casos atinge o cumulo do irracional. Não se pode desculpar o jovem agressor por talvez se ter enganado na força do acto, não se pode culpar a enfermeira por ter ido falar com o jovem. Este nunca devia ter respondido da forma que fez. Ela se calhar não devia ter ido pedir explicações. Mas como podia ela adivinhar que estava diante de alguém com uma historia de violência passada? Talvez o rapaz não tivesse a intenção de fazer o que fez mas quando as pessoas não pensam sai asneira. Ele não pensou, não reflectiu, achou que tinha razão e acabou por provocar a morte da romena. Era necessário uma coisa destas?
     Também chamo a atenção para outra coisa e que escandalizou os italianos. O facto de pessoas terem passado e não terem prestado assistência. Neste caso o vídeo é um exemplo perfeito de algo que esta cada vez mais visível na sociedade ocidental. O egoísmo e o desinteresse pelo próximo. Vive-se cada vez mais num mundo materialista, as pessoas vão perdendo os valores de tolerância, amizade, solidariedade; os jovens amargurados, sem futuro, descarregam violência; o anormal normaliza-se e não é posto em causa mesmo quando as evidências são notórias. Nestes tempos difíceis a crise não é só económica ou financeira é também de valores. E precisamente quando era tão importante que houvesse mais sentido de entreajuda entre todos. Será utopia? Mesmo que seja continuaremos sempre a lutar para que seja realidade e actos estúpidos como este não se repitam.

http://aeiou.expresso.pt/discussao-por-causa-de-bilhete-de-metro-termina-em-morte=f609895

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A crise do costume

Como ja é do conhecimento geral o governo anunciou ontem medidas de austeridade a fim de combater o enorme défice que existe neste momento no pais. Infelizmente e como ja vem sido habitual o governo escolheu sacrificar as classes média e media baixa que suportarao a maior parte das medidas agora anunciadas. Algumas delas sao tao injustas que pergunto-me como pode um povo ficar adormecido perante tamanha falta de respeito pelos que têm de fazer mais pela vida. Nunca o pais esteve tao mal a nivel economico e social como agora desde o final dos anos 70 e as coisas nao parecem ir pelo caminho certo pois ja se prevê uma nova recessao no final do ano. O pais que teve um periodo de expansao economica e de desenvolvimento entre o meado dos anos 80 e mais ou menos até ao ano 2000, volta agora para tras, tendo os mesmos problemas de antes deste periodo. O facto é que esta crise ja estava anunciada ha muito. Os indicativos foram anunciados e varias pessoas avisaram mas ninguém quis saber. Quando esta tudo bem, ninguém se quer chatear.  Assim e enumerando alguns tivemos o mau aproveitamento dos fundos comunitarios, a nao modernizaçao de empresas e a nao-requalificaçao, os gastos expensivos do Estado com a administraçao, os abusos da banca e das grandes empresas em termos de preços de serviços e produtos e a falta de controlo por parte dos governos, o desinteresse e nao-desenvolvimento do ensino, o aumento de salario muito baixo em comparaçao com o aumento dos preços fazendo com que o poder de compra fosse baixo e por conseguinte o arranque economico também. Estas foram algumas das atitudes que levaram a esta situaçao insustentavel. Portugal entrado na Uniao Europeia tera pensado que a partir dai sera o principio da subida do nivel de vida e da riqueza. Infelizmente esquecemo-nos ou nao tivemos interesse em saber que era preciso mais do que receber o dinheiro da Uniao. O que houve foi uma transformaçao de fachada “para inglês ver” sem que houvesse uma real mudança naquilo em que realmente era necessario: medidas serias e objectivas por parte de todos e para o bem de todos. Infelimente muitos pagam a crise e poucos nao pagam tanto como deviam.
Esta crise acarreta consequências graves para as familias nao so a nivel economico como é obvio mas também a nivel social.  Dois exemplos: o aumento da emigraçao e a subida da violência de rua. Se nada for feito surgirao novos bairros ligados à droga e aos roubos e estes micro-cosmos citadinos estarao na origem de conflitos sociais que poderiam ser evitados se durante todos estes anos todos cumprissem a sua parte. Infelizmente o povo português nao parece ter muito o habito de protestar.  Talvez que agora com estas medidas o povo acorde para aquilo que é um auntentico pesadelo.
Porugal sera um dia um pais rico? Bem com este tipo de mentalidade nao me parece. Nao basta construir, tem-se de    mudar as fases do desenvolvimento economico. entretanto os portugueses vao vivendo coomo podem.

Portugal pacifico e Portugal seguro.

Num relatorio publicado pela Global Peace Index, Portugal é considerado actualmente o 13° pais mais pacifico do mundo. O Global Peace Index é uma tentativa de medir os indices de segurança e pacifismo, idealizada pelo Instituto de Paz e Economia.
A noticia é certamente muito boa mas muita gente pensara como é possivel visto as noticias que aparecem quase todos os dias de assaltos e violência. A verdade é que a informaçao pode ser relativizada e os meios de comunicaçao social sabem muito bem que tipo de noticias atraem audiências.  Se é certo que houve um aumento da violência no nosso pais, ainda estamos muito longe do que se passa noutros paises. E nao é preciso ir muito longe para encontrar fenomenos de insegurança piores do que em Portugal. Na França por exemplo as guerras entre bandos jovens ou os ataques de jovens adolescentes a pessoas adultas sao cada vez mais o pao nosso de cada dia. O certo é que ha um crescente alarmismo na sociedade portuguesa alimentado pelos meios de informaçao e por alguns sectores da vida politica que teimam em fazer da insegurança um (falso) cavalo de batalha para atrair apoio eleitoral.
Agora se Portugal é o 13° pais mais pacifico do mundo, também nao deve ser considerado o “pais dos brandos costumes”. Pelo menos nao tanto como antigamente.  E aqui importa separar o Portugal pacifico do Portugal seguro.  Em ambos os casos, os indices sao baixos o que obviamente é bom. Mas se o pacifismo foi sempre algo presente entre nos, a segurança tem vindo a diminuir. Ora sendo que nao somos um pais muito violento, temos de estar atentos ao crescimento da insegurança. Desde a alguns anos que temos assistido a um aumento de assaltos, violaçoes, assassinatos, isto apesar do louvavel trabalho da PJ, tantas vezes criticada injustamente. O pais é agora um dos principais pontos de passagem de trafico de droga e isso é sem duvida uma das causas para esta imagem negativa que todos temos vindo a receber. Sera mesmo a causa principal, com destaque para os bairros problematicos de cidades como Lisboa, Porto ou Sétubal. Destruidora de vidas, a droga destroi também sociedades, modificando os modos de organizaçao e de vizinhança nesses bairros e nao so. Obvio que o aumento da violência verifica-se mais no litoral norte, na faixa que vai de Porto a Lisboa pois que é mais populoso, mais industrializado e mais rico. Isto portanto é a segurança que concluindo tem aumentado mas ainda temos a sorte de viver num pais muito mais calmo do que muita gente pensa.
Quanto ao Portugal pacifico ainda continuamos a ter brandos costumes e a deixar as coisas correr ao vento. Basta olhar para a nossa historia para comprovar a nossa apetência para o laxismo. Raras foram as vezes em que levantamo-nos em protesto como na crise de 1383-85 ou em 1974. A realidade é que os portugueses nunca foram de fazer grandes protestos mesmo por causas justas. Preferimos protestar em silêncio do que sair à rua. Talvez seja por causa de uma certa desconfiança que impede de haver uma maior uniao para combater as coisas injustas. Assim um maio de 68 francês ou os protestos que se passaram agora na Grécia contra as medidas de austeridade do governo nunca se poderiam passar aqui.
Somos um pais pacifista por natureza mas a calma a mais impede-nos de criar uma força de bloqueio contra por exemplo decisoes politicas injustas.
Para concluir acho pena que muita gente nao faça outra coisa que criticar o pais por causa da insegurança. O pais pode ja nao ser o paraiso mas também nao somos o inferno de outros. Muita gente diz que estamos a ficar “pela hora da morte” mas nao é verdade. E aqui temos algo em que podemos ser mais participativos na sociedade. Podemos nao acabar com a violência mas se formos mais unidos, mais solidarios, se a distribuiçao da riqueza for mais justa e se aceitarmos melhor o vizinho do lado havera certamente uma diminuiçao das noticias sobre assaltos na comunicaçao social.
Ver o indice em http://www.visionofhumanity.org/.

Encruzilhadas da justiça

Se ha um sector da sociedade portuguesa onde tem havido mais queixas, esse sector é a justiça. Sempre mal tratada e criticada, principalmente nos ultimos anos, ela tem sofrido por um lado de um pessimismo latente ao povo portugues e por outro de uma ingerencia por parte do poder politico e economico, muitas vezes bastante suspeita. Nao é de estranhar por isso o desalento com que o povo julgue a forma como a justiça é feita. Pois que, quantos casos se ve no jornal de pessoas que sao julgadas e condenadas por roubos menores e quantos casos em que ha reus importantes e bem conhecidos estao ainda a ser julgados? O povo cada vez menos acredita na justiça porque ve os ricos, os poderosos a escaparem quase sempre ao braço da justiça. Veem assim dizer que as leis estao mal feitas ou que estao desactualizadas. Certo é que por um lado é verdade o que se diz sobre a justiça. Ela é lenta, fora da realidade actual, desactualizada. Ha coisas, é certo que tem que mudar. Eu, sou e serei sempre contra a pena de morte mas parece-me um sistema penal muito permissivo o que existe actualmente. Direi apenas que na minha opiniao as penas de prisao deviam ser maiores e as multas também. Mas também é certo que uma prisao sem um bom sistema de reintegraçao na vida activa nao deveria existir. Como dizia o Dr. Egas Moniz, o criminoso é uma pessoa doente que actua fora da realidade. Se bem que o emeretissimo Doutor tem razao, nao creio que ele estivesse a falar de todos os tipos de criminosos. Os criminosos e assaltantes actuam por doença, por necessidade, por influencia externa como por exemplo programas de televisao violentos nos mais jovens. No primeiro caso é pouco provavel ou impossivel a reabilitaçao, podendo haver lugar ao tratamento, nos dois casos seguintes deve haver sempre a reabilitaçao na prisao. Para bem da sociedade nao é muito melhor uma prisao onde os prisioneiros sejam confrontados com os seus proprios actos de uma forma calma mas determinada que ver uma prisao transformada num local de contrabando de drogas onde todos se perdem e ninguem se salva? Aumentar as penas sem melhorar a vida nas prisoes nao leva a nada. Pelo menos nada positivo. O facto é que, e isto pode surpreender, a justiça em Portugal é muito avançada. O grande problema é a forma como ela é aplicada. Na realidade, Portugal tem leis proximas de um sistema legislativo dos paises norte-europeus mas num estado onde o clienletelismo, o compadrio, as jogadas de interesses as leis nao podem ser bem aplicadas por mais modernas que sejam. A justiça é o poder que esta acima de todos os outros tipos de poder. Pelo menos é essa a intençao. Mas por vezes o sistema falha e isso é algo perigoso para o bom funcionamento de qualquer estado. Infelizmente parece que esta-se cada vez mais a esquecer-se isso.