A cultura da vitimização.

 

Vi este fim de semana um documentário chamado “O.J. Made in America”. Devo dizer que é um filme bastante apelativo e de grande qualidade tendo até ganho o oscar de melhor documentário de 2016. A prova de como achei-o muito bom foi que o tema era sobre um caso sobre o qual nunca tive muito interesse em acompanhar e mesmo assim senti-me atraído por ele. O caso era o de O. J. Simpson que foi bastante seguido na altura em que saiu à baila, sendo até considerado o julgamento do século. Eu lembro-me duma famosa perseguição, de que ele era acusado de assassinato da sua mulher e uma outra pessoa e de um processo que parecia não ter fim. Mas seria preciso esperar até  este fim de semana passado para compreender toda a história ao pormenor da queda de um ídolo do futebol americano. Ora durante o filme, uma das coisas que me chamou mais a atenção foi o aproveitamento do caso por parte dos advogados de defesa como um caso de racismo do qual O.J. era uma vítima. Pouco tempo antes tinha havido a história de abuso policial contra Rodney King que tinha provocado enormes tumultos violentos em Los Angeles por parte da comunidade afro americana. Era um tempo de fortes tensões raciais. Ora aproveitando isso e de forma a tirar vantagem a equipa de defesa transformara um caso de crime num caso de racismo, ainda para mais quando o principal agente encarregado da investigação já tinha sido apanhado a proferir frases racistas. Isto provocou uma verdadeira divisão racial na sociedade norte-americana e de repente a razão de ser do julgamento que era o suposto crime de O.J. Simpson passou para segundo plano, para se dar destaque a um possível caso de racismo do qual O.J teria sido vítima o que foi uma desvirtuação do sentido de justiça. Assim os advogados de defesa estavam a conseguir transmitir a imagem de que O.J. era uma vítima do sistema e não alguém suspeito de um crime, o que equivalia a por em causa a verdadeira razão do julgamento. Ora isto fez com que a opinião pública norte-americana se dividisse muito sobre a inocência ou não do réu. Divisão que tinha muito em conta o factor racial. Assim enquanto a maioria dos brancos pensava que ele era culpado, a maioria dos afro-americanos via-o como inocente. Bem a verdade é que o truque da defesa pegou e ele foi inocentado, apesar das provas indiciarem o contrário. Seria condenado mais tarde a 33 anos de prisão por roubo e quanto ao assassinato da sua esposa e dum companheiro, ainda hoje não se sabe quem foi o autor, embora ele continue a ser um dos principais suspeitos.

Ora porque é que eu falei deste caso? Porque é um exemplo da cultura da vitimização que agora está muito na moda, principalmente através das minorias. Chegamos a um ponto em que os brancos são sempre culpados e as minorias (sobretudo negros e muçulmanos) são sempre inocentes. E chegamos também a um ponto onde estes sabem aproveitar-se da situação para se mostrarem como solidários e respeitadores, incapazes de fazer algum mal. A culpa é sempre do branco, da polícia, do governo, do Estado e até da antiga potência colonizadora. Digo isto porque esta cultura da vitimização tanto vai contra indivíduos como contra países. Ora sabemos que muitas vezes existe de facto racismo e xenofobia por parte das autoridades e sabemos também que muitas vezes as minorias são de facto vítimas de abuso mas tentar vender a história a toda a hora de serem vítimas do sistema é ir contra a própria justiça e mostrar ao mundo uma imagem desfasada da realidade. Saliente-se também que esta cultura é muito apoiada e incentivada pela esquerda regressiva que suspostamente está sempre ao lado dos oprimidos mas esquecendo que muitas vezes estes também são os opressores.

Vejamos dois exemplos. O primeiro é a violência policial contra negros e também nos bairros sociais. Sabemos de facto que isso existe infelizmente, mas será sempre assim? Alguns dos recentes casos de violência policial nos EUA estavam muito mal contados e parece-me que por vezes a polícia reagiu à violência do outro lado. Ou alguém acredita que num país onde obter armas é vulgar e onde elas pululam nos bairros mais arriscados, as pessoas iriam estar quietas ao verem a polícia aproximar-se? Sobretudo quando a droga e a criminalidade abundam nesses lugares! E por falar em bairros sociais, moro num e gosto quando a polícia ca aparece. Faz-me sentir mais seguro. Claro que assim a cultura da vitimização só traz vantagem aos traficantes, abusadores e etc. Mas não são os únicos a quem traz proveito.

Vejamos agora o segundo exemplo. De repente os muçulmanos começaram a ser os coitadinhos, parecendo até que no mundo existe um ódio internacional contra eles. Ora não esqueçamos dois pontos importantes. Sim, os muçulmanos são as maiores vítimas do terrorismo e os terroristas também são muçulmanos. Ora o que isto quer dizer? Simplesmente que os muçulmanos não podem estar sempre a vitimizarem-se porque no terrorismo islâmico está também muita da ideologia religiosa deles. O que é curioso é que muitas vezes quem se vitimiza e tenta passar essa imagem de inocência são Ímans ou pessoas ligadas a mesquitas e escolas corânicas, a quem não interessa reconhecer que nem tudo é perfeito no islão. E assim acontece várias vezes de não se pronunciarem contra atentados cometidos por grupos terroristas mas fazem um vendaval e protestos irados se alguém pinta as paredes de uma mesquita. Ora estes mais esquerda regressiva, ao criarem a imagem de inocentes acabam por dizer que não há muçulmanos terroristas e que na verdade são todos vítimas do sistema. No fundo o mesmo que os advogados de defesa fizeram no caso O.J. Simpson. Ora isto acaba por ser prejudicial para o combate ao terrorismo.

Não queria terminar sem um último ponto. Anteriormente falei de vitimização contra países. Bom será mais correcto falar de antigas potências colonizadoras. Já falei anteriormente sobre isso e só volto a falar para dizer que já cansa a conversa do explorado, do roubado, enfim conversa que ainda hoje muitos africanos têm contra a Europa principalmente. Houve exploração abusiva colonial? Sim houve. Africa continua a ser explorado, agora sobretudo por empresas privadas? Sim  continua. Mas isso não pode servir como única justificação da pobreza deste continente, muito longe disso. Com essa cultura da vitimização, muitos africanos acabam por não reconhecer o que está mal no próprio continente o que acaba por ser prejudicial para o seu desenvolvimento.

 

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