Simone Veil – o adeus de uma mulher sem medo!

Morreu Simone Veil. A notícia já se espalhou pela internet mas mesmo assim não podia deixar de lhes prestar uma homenagem. E faço-o porque ela foi uma mulher independente, lutadora, humanista, democrata e feminista que nunca se deixou influenciar por correntes partidárias e que defendeu sempre de forma convicta, aquilo em que acreditava.

Simone Veil era daquelas personalidades da política francesa, da qual, as pessoas fora de França, já tinham ouvido falar pelo menos uma vez, mesmo que não acompanhassem a política do país. O seu nome era incontornável e muito conhecido e isso devia-se a uma vida de coragem e de luta.

Nessa vida existiram três momentos que definiram para sempre a sua personalidade que foi para muitos um exemplo e uma referência. O primeiro foi a sua passagem e sobrevivência em Auschwitz onde os seus pais acabaram por morrer. Ao longo da sua vida teve sempre a preocupação em testemunhar os horrores do nazismo e contar aquilo por que passou, para que as novas gerações soubessem e não esquecessem o que foi uma ideologia criminosa. Por isso visitava frequentemente os campos de concentração e recusara tirar o número tatuado no seu pulso que todos os prisioneiros recebiam quando chegavam a esses campos. O momento mais alto da sua carreira política aconteceu em 1974 quando quase sozinha e numa altura em que o governo e maioria eram de direita, apresentou um projecto para despenalização do aborto. O tema provocaria enorme polémica com debates a roçarem a grosseria contra a deputada, mas no fim ela acabaria por ganhar e as mulheres francesas conseguiram nesse ano um novo direita. Em 1979 há outro grande momento quando é a primeira pessoa (homem ou mulher) a ser eleita para parlamento da União Europeia, na altura ainda chamada CEE. Europeista convicta, Simone Veil, percebeu a importância de uma Europa unida, ela que pertenceu a essa geração de políticos sobreviventes da II guerra mundial e que por causa disso esforçaram-se para que a UE significasse o não retornar a esses tempos de privações e violência. Uma geração que independentemente das ideologias que cada um defendia, procurava o entendimento e o não regresso à guerra.

Simone Veil foi e será sempre uma referência como política e lutadora dos direitos humanos e é pena que vozes como ela estejam aos poucos a desaparecer. Resta acreditar que as gerações futuras saberão herdar das suas convicções.

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