EUA: o regresso ao unilateralismo?

 

E de repente Donald Trump parece ter enveredado por um caminho da justiça solitária tal qual um xerife que no velho oeste chega à cidade para impor a lei. Imagem esta que normalmente associamos aos conservadores republicanos, falcões amantes das armas e da justiça pelas próprias mãos como garantia da defesa dos direitos das pessoas. Sentindo-se impregnados de uma missão quase divina de espalhar a democracia, avançam sozinhos sempre com a ideia de que têm a força e a razão do seu lado. A força, é um facto; a razão já não tenho tanta certeza. Ainda hoje nos lembramos da invasão unilateral do Iraque pelos EUA e aliados por causa de umas supostas armas maciças. Antes tinha-se atacado o Afeganistão porque pensava-se que era lá que se escondia o Bin Laden. De repente a prioridade mudara e era estranho que os EUA deixassem de perseguir o seu principal inimigo na altura para atacarem um outro país que naquele momento não constitua uma ameaça aparente. Depois toda a gente sabe o que aconteceu. Saddam Hussein era um terrível ditador de facto mas sem o seu domínio que continha as várias facções do Iraque, o país tornou-se ingovernável e partiu-se num mosaico de peças como um autêntico caos. A caixa de Pandora fora aberta pelos tais falcões republicanos que tencionavam acabar com a ditadura e impor uma democracia e um estilo de vida ocidental. Na verdade outros interesses falavam mais alto mas não vamos falar disso agora. A verdade é que tinha sido aberto um precedente perigoso que mais tarde seria usado por Putin nas invasões da Geórgia e do leste da Ucrânia. Agora com a administração Trump parece que voltámos a ter um regresso ao unilateralismo. Ou isso ou apenas propaganda e palavreado como demonstração de força. De facto parece-me mais isto do que reais intenções do presidente norte-americano.

Quando Trump ordenou o ataque com mísseis a uma base militar síria, houve quem ficasse contente e dissesse que ele teve a coragem de fazer aquilo que Obama ameaçara mas que nunca cumprira. E no entanto como as coisas não são tão lineares assim. Se Obama nunca o fizera, é porque sabia que isso iria mexer com a sensibilidade russa, aumentando a tensão entre as duas grandes potências. Ora a situação na Síria já está má que chegue para que agora se transforme num palco de conflito entre os EUA e a Rússia. Na verdade já o é mas felizmente ainda não se chegou ao conflito armado.

É verdade é compreensível que todos aqueles que gostam da democracia e de liberdade apoiassem o ataque de Trump porque no fundo há quem se sinta atraído pela imagem romântica da salvação dos oprimidos contra a tirania mas a verdade é que infelizmente o principal motivo dos EUA parece me não ser essa imposição heróica da democracia mas talvez interesses financeiros e com ligações à indústria das armas. No fundo os EUA e a Rússia jogam os seus interesses no tabuleiro sírio e a jogada unilateral de Trump parece me que só vai servir pars aumentar a tensão. Mas daí até passar a um conflito armado com a Rússia parece altamente improvável. No fundo não passa de um jogo de provocações que não vai mais além do que isso.

Mas o jogo de propaganda e provocação de Trump não é só com a Rússia mas também com a China. A ameaça de resolver sozinho o problema da Coreia do Norte só pode ser um jogo de palavras porque sendo verdade que é imprevisível e excêntrico não acredito que seja tão maluco quanto isso. Os próximos tempos dirão das suas reais intenções mas espero que este possível regresso ao unilateralismo seja apenas um jogo de força e pura propaganda. Não acredito que procure conflito  com os seus dois principais adversários equipados de armamento nuclear.

 

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