Mulheres afro-americanas, pioneiras na exploração espacial.

Da esquerda para a direita: Dorothy Vaughan, Katherine Johnson e Mary Jackson/Foto: NASA

Da esquerda para a direita: Dorothy Vaughan, Katherine Johnson e Mary Jackson/Foto: NASA

 

       Este ano um dos filmes nomeados aos oscars de 2016 chama-se “Elementos secretos” (Hidden Figures no original) e conta a historia de 3 cientistas afro-americanas que tiveram um papel preponderante no sucesso dos primeiros voos espaciais norte-americanos. Além disso fala também da luta que tiveram de travar contra a forte segregação racial que se fazia sentir à época nos EUA, acrescida do facto de serem mulheres. Confesso que nunca tinha ouvido falar delas e quase de certeza nao devo ser o único porque na historia da exploração espacial, os que costumam ser lembrados sao os que foram la cima, os viajantes e exploradores das novas fronteiras enquanto os que estão por detrás do sucesso dessas viagens quase nao sao referenciados a nao ser em casos particulares como no destas 3 mulheres. E de facto é uma historia inspiradora e de luta contra as mentiras da superioridade racial e da diferença intelectual de género. 

     Dorothy Vaughan foi uma matemática norte-americana que trabalhou na NACA (National Advisory Committee for Aeronautics) predecessora da NASA e em 1949 foi a primeira mulher negra a ser promovida chefe de departamento. Durante o tempo da Grande Depressão tornou-se professora para auxiliar a família abandonando assim o sonho de fazer um mestrado. Mais tarde durante a II Guerra mundial e para ganhar algum dinheiro começou a trabalhar na lavandaria de um quartel. Foi nessa altura que viu vagas abertas para gente com formação em matemática para o Langley Research center especializando-se em rotas de voo, Projecto Scout e programação FORTRAN. A ordem executiva 8802 proibia a discriminação racial na defesa dos EUA o que permitia a contratação de pessoas de raça negra para os orgaos federais sem discriminação, pelo menos na teoria. E foi esta ordem que permitiu a contratação de Dorothy em 1943 para a NACA. Ela foi entao chamada para a West Area Computers, uma área segregada da instalação. Em 1949 ela tornou-se chefe dessa área, sendo assim a primeira supervisora negra na NACA e  uma das poucas mulheres nessa posição, numa época em que a segregação contra as minorias era ainda muito forte nos EUA. Continuou a trabalhar na NACA quando esta passou a ser NASA. Reformou-se em 1971 e morreu em 2008.

    Katherine Johnson é uma física, cientista espacial e matemática norte-americana. Nasceu em 1918. Acabou o ensino médio aos 14 anos e aos 15 começou a estudar na universidade em todos os cursos onde havia matemática. Vários professores a apadrinharam incluindo a matemática e química Angie Turner King e W. W. Schiefflin Claytor, o terceiro negro a receber um doutoramento em matemática no país e que chegou a criar novos cursos de matemática especialmente para Katherine. Formou-se aos 18 anos com notas máximas em matemática e francês. Em 1939, tornou-se a primeira negra a dissociar-se da graduação na West Virginia University e a única mulher entre 3 estudantes negros seleccionados a integrar a graduação depois da decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos de separar as escolas e universidades para negros e brancos. Katherine optou por trabalhar na matemática com interesse em pesquisa na área, um caminho no entanto de acesso bastante difícil para as mulheres e sobretudo de raça negra. Numa reunião de família soube através de um parente que a NACA estava à procura de mulheres, sobretudo negras, para o departamento de navegação. Concorreu e foi uma das escolhidas. De 1953 a 1958 ela trabalhou como “computador” na secção da West Area Computers onde era supervisionada por Dorothy Vaughan. Mais tarde passou para a Divisão de Controle e Orientação da divisão de Pesquisa de Voo. No entanto ela e sua colegas de raça negra era segregadas no trabalho; algo que duraria até 1958. De 1958 até à sua reforma em 1986 trabalhou como técnica aeroespacial. Entre outros feitos, calculou a trajectória de voo de Alan Shepard, o primeiro norte-americano no espaço em 1959 e em 1962 verificou os primeiros cálculos de computador da orbita de John Glenn ao redor da Terra. Este pediu para que fosse ela a fazer essa verificação e recusou-se a voar até que ela terminasse o trabalho. Também seria uma ajuda importante no sucesso do regresso da Apolo 13 à Terra. O seu trabalho foi e é bastante apreciado e serviu de exemplo e modelo como pioneira nas ciências, principalmente pelas portas que abriu para mulheres de raça negra devido à enorme qualidade do seu trabalho. 

      Mary Jackson foi uma matemática e engenheira aeroespacial da NACA. Obteve um bacharelato em física e matemática pela universidade de Hampton em 1942. A seguir foi ensinar para Maryland e em 1951 foi trabalhar para a NACA antecessora da NASA. Começou a sua carreira no Langley Research Center como matemática. Em 1953 passou para o Compressibility Research Division. Depois de 5 anos na NASA foi para um programa especial de treinamento e foi promovida a engenheira aeroespacial. Muitos anos depois foi designada para trabalhar como engenheira de voo. Mary trabalhou para ajudar mulheres e outros grupos minoritários a avançar em suas carreiras. Depois de 34 anos na NASA, alcançou o nível mais alto como engenheira sem ter de se tornar supervisora. Ela decidiu receber menos e mudar de posição para se tornar administradora no campo de Oportunidades Iguais. Voltou depois a Langley onde trabalhou por mudanças e para destacar mulheres e outros grupos minoritários nas suas áreas de actuação. Administrou o Federal Women’s Program. Trabalhou na NASA até à sua reforma em 1985. Faleceu 20 anos depois. 

     Tanto em conjunto como em separado, os trabalhos destas 3 cientistas abriram portas e foram uma inspiração para mulheres e outros grupos que nao tinham as mesmas oportunidades dos indivíduos de raça branca. Numa época de forte segregação racial elas foram corajosas, nao se deixando abater pelo medo e perseguindo o sonho apesar das adversidades. Por isso sao um modelo nao so pelo que conseguiram ao nível profissional e portanto pelo contributo que deram para a exploração espacial mas também pelo activismo que tiveram em nome da igualdade. Sao nomes pouco conhecidos mas para serem lembrados sempre! 

 

 

 

Fonte das partes biográficas e para saber mais: Wikipédia

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