Van der Bellen – Uma pedra no sapato do populismo extremista!

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Helmut Fohringer/AFP/Getty images

 

E ontem quando praticamente toda a comunicação social dava como certa a vitória do candidato da extrema-direita nas eleições presidenciais na Austria, eis que o vencedor acaba por ser o candidato apoiado pelo centro-esquerda e não só. Mais do que uma surpresa, foi um golpe nessa atitude que pretendendo talvez avisar sobre o regresso do pesadelo nazi ao poder, acabou por de certa forma favorecer a campanha de Norbert Hofer e ao mesmo tempo dar mais enlace áquilo que alguns chamam de dinamismo populista rumo à vitória. De facto com uma comunicação social assim, a extrema-direita tem o caminho facilitado para conquistar a Europa. Durante todo o período que precedeu a eleição à vitória de Hofer foi dada como adquirida enquanto sobre Van der Bellen eram escassas as palavras e nunca para lhe dar como vencedor. É quase o mesmo que se passa em relação às eleições em França do próximo ano.  Ainda falta, mas desde há muito tempo que Marine é dada como possível vencedora ou pelo menos presente na 2. Volta. A insistência sobre isto é tanta que Marine quase nem precisa fazer campanha. Esperemos porém e para bem da Europa que haja outra surpresa pro ano em França.

Voltando à Austria, as eleições presidenciais neste país não têm grande importância visto que o poder do presidente da república é muito limitado, mas mesmo assim não deixa de ser uma vitória simbólica e uma pedra importante na engrenagem da ascensão do populismo no velho continente. Mesmo assim é preciso que a Europa esteja atenta antes que seja tarde demais e cometa suicidio. Porque é isso que poderá acontecer caso as extremas direita e esquerda ocupem os espaços do poder em vários países. Talvez a melhor resposta esteja no pragmatismo do candidato austríaco vencedor porque se respondermos à extrema-direita com a extrema-esquerda e vice/versa então estaremos a deitar mais lenha na fogueira em vez de a apagar. Combater um problema com outro problema nunca foi solução. Alexander Van der Bellen que foi um antigo dirigente do partido ecologista austríaco, candidatou-se desta vez como independente e com uma política que atendesse numas matérias à esquerda e noutras à direita. Nesta última é defensor duma política de “tolerância zero” em matéria de segurança e de uma restrição de asilo para os migrantes económicos. Quanto ao primeiro ponto, penso que é evidente que todos gostamos de nos sentir seguros na nossa casa e quanto ao segundo ponto, sou à favor que se dê prioridade aos refugiados das guerras e perseguições. Claro que ambos são pontos delicados que por vezes podem dar à confusão ou serem mal interpretados mas Van der Bellen compreendeu que ficar numa atitude exclusivamente de esquerda para se opor ao seu rival não lhe traria grandes oportunidades de vitória. E no entanto não penso que tenha traído os seus valores.

Agora espero que a comunicação social trate de forma igual todos os candidatos não querendo favorecer aqueles que pretendem destruir a Europa com a pretensa conversa da treta de que trazem sangue novo à política. Dessas políticas já tivemos dose que chegue com os resultados que todos conhecemos, pelo menos os democratas conhecem. A Europa precisa de renovação que lhe faça avançar e não retroceder!

 

 

 

 

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