Fidel Castro – o fim de um ditador.

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Certas pessoas parecem impregnadas de um carisma tão grande que parecem influenciar e atrair o mundo à sua volta, independentemente das suas atitudes e pensamentos. Fidel Castro era uma dessas pessoas. Era para uns o comandante revolucionário pelos povos oprimidos contra o imperialismo e para outros um ditador que impediu o desenvolvimento do seu povo, como tinha prometido. Mas Fidel é também o produto do comunismo marcado pela simbologia e dos EUA que recusaram o seu pedido de ajuda. Do comunismo marcado pela simbologia porque foi transformado num ícone símbolo da revolução e combatente pela liberdade dos povos oprimidos. A propaganda comunista fez dele um símbolo contra o imperialismo e usou o seu carisma e popularidade como atracção das pessoas para a causa ideológica que ela defendia e defende. Mas o próprio Fidel nao teria abraçado ele próprio o comunismo, se nao tivesse visto recusada a ajuda por parte dos EUA. Foi nessa altura, ainda no inicio da revolução que ele disse a famosa frase: “Sou comunista e se-lo-ei até ao fim da minha vida.” Ora a propósito da revolução que o fez chegar ao poder, é verdade que ele e os seus aliados derrubaram um ditador patrocinado pelos EUA de seu nome Fulgêncio Baptista e isso contribuiu muito para a sua fama de libertador dos povos. Infelizmente transformou Cuba de uma ditadura de direita numa ditadura de esquerda recusando a democracia e a liberdade ao povo cubano. Nao vale a pena vir com disfarces e discursos bonitos porque ele foi um ditador, sem duvida nenhuma. Mas como a esquerda tem uma aura romântica, muitos dos seus “heróis” tornaram-se ícones da luta dos povos, quando na verdade foram eles próprios opressores da classe que diziam defender. Por isso confesso que acho estranho ver tanta idolatria à volta da figura de Fidel. Eu nao sou psicólogo mas parece-me que temos aqui mais um exemplo de “hipnotismo”  colectivo. Isto é, massas que se sentem atraídas por um discurso populista e romântico que glorifica uma pessoa. Isto tanto acontece com ditadores de esquerda e de direita e um bom exemplo é quando morre um deles e é chorado de forma compulsiva pelo povo. O que explica isto? Talvez o facto principal seja o de um ditador estar tanto tempo no poder e isso provocar uma espécie de paternidade com o povo. Como exemplos temos a morte de Salazar que pelas imagens do funeral, provocou muita consternação e tristeza e agora é um nome referido com uma certa saudade de quem viveu no seu tempo. O outro exemplo é o Estaline que foi o líder de um dos mais terríveis regimes da historia mas que no dia da sua morte foi homenageado por grandes quantidades do povo e actualmente é também referido com saudade de quem viveu no seu tempo. Como essas pessoas so conheceram um chefe de Estado e como numa ditadura a propaganda nao permite conhecer outras realidades, as pessoas tomaram esses lideres como “pais dos povos ” e “salvadores da pátria”. Com Fidel aconteceu o mesmo. E no caso dele ao contrario de Salazar e Estaline, o seu carisma é tao grande que até era bem visto por pessoas de outros quadrantes políticos e sociais. A propósito disso, ainda vi ontem uma fotografia dele junto com elementos da policia nova-iorquina. Ora sabendo que os EUA e Cuba tiveram sempre relações difíceis, depois que ele chegou ao poder, nao deixa de espantar uma foto assim. E uma imagem assim explica muito da fama de Fidel mas também da desilusão por aquilo que ele poderia ter sido e dado ao seu povo e ao mundo e acabou por nao o fazer. Por isso fazer dele um símbolo da libertação e da justiça é manifestamente exagerado. Certo que nos últimos tempos Cuba tem-se aberto ao mundo mas ainda nao é um Estado democrático. Havia em Fidel uma espécie de simpatia contagiosa e um sorriso aberto que contrastavam com a sua forma de tratar os opositores e recusar qualquer tentativa de democratização do país. Pena que a sua aura e fama nao acompanhem a realidade e pena que ele nao tivesse sido aquilo que realmente poderia ter sido. Um verdadeiro herói para todo o povo cubano. Com certeza é uma das personalidades mais marcantes da historia e um verdadeiro ícone (ja estou a ver no futuro camisolas com a sua esfinge tal como aconteceu com Che Guevara) mas a historia nao o absolvera.

No processo inevitável de Cuba para a democracia, porque isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde, so espero que esta ilha nao se transforme num antro do capitalismo selvagem como aconteceu com outros antigos países comunistas e preserve aquilo que tem de bom como os seus sistemas nacionais de saúde e ensino. Espero que no futuro, já anos depois da instauração da democracia nao acha pessoas com saudades do regime castrista.

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