Jornal I e PNR: artigo importante mas capa desnecessária!

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Esta semana uma das capas do jornal I provocou em mim sentimentos de repulsa e reprovação. Ao ver a enorme fotografia na parte superior da capa, fiquei na duvida se estava a ver um jornal sério e independente ou o o orgao oficial de informação do partido de extrema-direita português PNR. Porque de facto e olhando so para a tal fotografia, com a foto do líder deste partido e uma frase abertamente provocadora, parece que estamos mais a ver um cartaz para umas eleições. Decidi por isso procurar a entrevista a que a imagem se refere e fazer uma análise (infelizmente nao consegui encontrar mais cedo e por isso é que so agora escrevo sobre ela).

Começo desde ja por dizer que esta entrevista mostra bem o porquê de eu ser contra qualquer forma de extremismo. José Pinto Coelho, o líder do PNR, começa por falar no crescimento deste, nas ultimas legislativas e na possibilidade de a vitoria de Trump nos EUA ser benéfica para o seu partido graças a um efeito de domino. Duas observações que nascem mais de um efeito de parcialidade do que de um conhecimento real do país. Se é verdade que houve mais votos nas ultimas legislativas para este partido, nao deixa de ser um resultado medíocre e insignificante e estou em crer que assim continuara a ser. O PNR sera sempre um partido sem expressão no panorama político português. E nem o efeito Trump o vai ajudar porque parece-me que este nao é totalmente igual àquilo que defende Pinto Coelho. Le Pen por exemplo, parece cair no mesmo erro. Além disso e como comparação a presença da extrema-direita em França foi sempre muito mais notória do que em Portugal e isso é mais uma razão para acreditar que esta ideologia nunca vai ter uma grande implantação no nosso território. A prova disso é um protesto contra trabalhadores estrangeiros organizado pelo partido e no qual so estiveram 70 pessoas.

A seguir fala no politicamente correcto e toda a gente sabe que os políticos sao exímios em usarem as palavras conforme lhes da mais jeito. Pinto Coelho tenta dar aqui uma imagem de vítima dizendo que o seu partido é censurado por causa do politicamente correcto. Ora como eu digo muitas vezes o ser politicamente correcto nao impede de se usar uma linguagem provocadora e anti-sistema. O problema é quando ultrapassa-se os limites e entra-se por exemplo no incentivo à violência como acontece muitas vezes na extrema-direita. Ora a partir dai falar de politicamente correcto deixa de fazer qualquer sentido. A seguir diz que nao querem o islão em Portugal e que portanto nao quer mulheres de burca nas ruas ou burkini nas praias ou pessoas a rezar nas ruas. Aqui fiquei na dúvida se ele estava em Portugal ou em França e isto porque nunca tive e nem tenho conhecimento que algum desses casos tenha ocorrido no nosso país. Ora o que ele faz aqui é algo típico dos populistas, tentando criar problemas para depois tirar proveito deles. Neste caso tenta dar uma imagem de supostos fenómenos existentes em Portugal quando na verdade nao existem e com isso dar uma imagem negativa do islão. E quanto a nao querer esta religião em Portugal, ja vai tarde. Basta pensar nos guineenses.

Mais abaixo, Pinto Coelho da uma de ironia e hipocrisia quando diz que foram à sede do partido LIVRE para simplesmente participarem num debate sobre Trump e como lhes foi dito que a sala estava cheia, foram-se embora. Confesso que aqui deu-me vontade de rir. Ir à sede de um partido de ideologia oposta assim como quem nao quer nada para simplesmente participarem num debate é das piores desculpas que ja vi na minha vida. Para mim é obvio que houve tentativa de intimidação e de violência.

No artigo aparece também a opinião do outro extremo político e claro sao contrárias mas nem por isso melhores. Desde ja acho estranho que um dirigente de uma organização humanitária também o seja de um partido. Penso que deveria haver independência. Depois tanto o dirigente do BE como o dirigente do LIVRE chamam a atenção para a ameaça do crescimento do PNR e que portanto é preciso ter em conta esse fenómeno. Ora, sem descurar essa opinião, parece-me no entanto que ambos exageram e no fundo usam o mesmo método populista de Pinto Coelho. Por outro lado, Mamadou Ba tem razão quando diz os militantes de extrema-direita estão organizados e têm práticas de afirmação na base do ódio.

Outro ponto importante é que na imagem da capa, aparece escrito uma declaração do dirigente do BE, dizendo que é preciso levar a ameaça muito a sério. Mas sera que ele defende as burkas, os burkinis e as orações nas ruas? Nao sei mas nao seria espantoso visto que a extrema-esquerda tem como um dos princípios ir contra qualquer pensamento de extrema-direita, afirmando-se assim supostamente no lado da democracia contra o lado do totalitarismo fascista. Ora o problema é que nem sempre um pensamento contrário ao totalitarismo resulta em democracia mas acaba por resultar numa outra vertente antidemocrática. Neste caso a ironia esta no facto de o dirigente do BE defender supostamente práticas antidemocráticas colocando-as no lado da democracia, so porque sao criticadas pelo PNR. Ora eu sou totalmente contra o PNR e no entanto também nao gostaria de ver burkas e burkinis ou ruas cheias de gente a orar virados para Meca. As burkas e burkinis, ao contrário do que alguns pensam, nao é um símbolo cultural mas uma forma de opressão e domínio e quanto a rezar na rua, nao tem lógica nenhuma além de ser um sinal ostensivo e provocador. E isto é a minha opinião tanto para o islao como qualquer outra religiao.

Em suma é um artigo onde estão presentes os erros (pelo menos parte deles) e a hipocrisia dos extremos políticos e por isso nao têm nada de nacionalista ou democrático apesar de afirmarem o contrário.                   O nacionalismo do PNR é um nacionalismo falso na medida em que combate a variedade histórica e social do povo português enquanto a democracia do BE é hipócrita pelos motivos referidos no parágrafo anterior.

 

Para ler o artigo completo: “Extrema-direita conta com efeito de dominó na Europa.

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