E Trump ganhou! E agora?

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E a surpresa aconteceu! Melhor dizendo a enorme surpresa, tendo em conta as sondagens e a opinião geral exposta em toda a comunicação social e redes sociais e da qual nada indicava o que veio a acontecer. Eu próprio nao acreditei que Hillary fosse perder estas eleições, nao porque fosse a favor da sua vitoria mas porque achava a campanha de Trump tao negativa e polémica que seria impossível ele ganhar. Na  noite dos resultados, tive de certeza a mesma reacção de muita gente: surpresa, desalento e apreensão. Mas passado o choque de um resultado tao inesperado, importa analisar como tal foi possível e o que poderá acontecer no futuro com o novo presidente.

Como é que se chegou a tal resultado? Bom para responder a isto é mais fácil ver porque é que Hillary perdeu do que saber como é que Trump ganhou. Digo isto porque na minha opinião, o eleitorado norte-americano votou nao tanto por gostar do candidato republicano mas por estar farto do sistema ou do establishment como eles la chamam. Na verdade e apesar de serem muito diferentes, ha pelo menos um ponto em comum entre Trump e Obama. Ambos representaram o anti-sistema, a diferença e a procura de mudança, cada um à sua maneira claro. Ora Hillary foi sempre o símbolo do sistema, da normalidade e do conformismo. Tivesse Bernie Sanders sido a escolha dos democratas e nao sei se Trump teria ganho as eleições. Nem o facto de ser mulher a ajudou a ganhar. A juntar a isto ha dois pontos fundamentais que prejudicaram a candidata democrata e que foram a experiência política que se acabou por se virar contra ela devido às suspeitas que foram levantadas (intervenção na Líbia e caso dos emails) e a sua frieza e falta de empatia com as pessoas. A propósito disto compare-se a sua campanha com o estilo cool da campanha do seu marido quando este foi eleito presidente pela primeira vez. Finalmente ha ainda que falar da arrogância, embora menos desta vez por causa da experiência da primeira derrota contra Obama que lhe tera servido de lição. Mas parece que nao aprendeu muito com os erros e porque estaria convencida da vitoria acabou por levar uma das maiores humilhações da sua vida. E se houvesse duvidas quanto à amargura da sua vida, basta lembrar-mo-nos do tempo que demorou a reagir à derrota.

Do lado de Trump, que muito provavelmente ficou surpreendido com a vitoria, ha a salientar duas coisas. Primeiro o facto de muita gente nao ter indicado (por opção ou receio) o seu voto no republicano. Dai haver tantas sondagens erradas. E segundo, eu nao conheci as estratégias das campanhas mas tendo em conta que Trump ganhou mais nos Estados-chave, a estratégia da sua equipa tera sido mais inteligente, o que nao deixa de surpreender tendo em conta que ele nao teve muito apoio do seu partido enquanto que Hillary tinha toda a maquina democrata a apoiar-la.

A proposito dos Estados-chave e do sistema eleitoral norte-americano repare-se que Trump ganhou no colégio eleitoral mas Hillary ganhou no voto popular. As idiossincrasias de um sistema eleitoral semidemocratico. Lembram-se do caso Bush-Al Gore?

E agora o que vai acontecer? Antes de mais e como seria de esperar a vitoria de Trump foi um choque tao grande que as ondas ainda se fazem sentir e assim sera por mais algum tempo. Mas sera que essa negatividade tem fundamento?

Bom, a eleição de Trump à presidência da única superpotência mundial é sempre de se ficar apreensivo mas parece-me que o seu mandato nao vai ser tao mau como muitos prenunciam, principalmente a esquerda e nem tao extremista como a direita xenófoba e racista deseja. Na verdade até penso que aqueles que agora elogiaram Trump vao ser os primeiros a desiludirem-se. Importa analisar os vários factores da sua campanha e ver o que poderá acontecer no futuro, realçando aquilo a que se deverá ter mais atenção.

– xenofobia, racismo e machismo: a extrema-direita conservadora e rural dos EUA fez logo uma festa quando soube do resultado. Como exemplo o Ku Klux Klan. Na Europa os partidos populistas e racistas reagiram com satisfação. Todos estão à espera que Trump cumpra o prometido e entre numa política de anti-imigração, de segregação contra indesejáveis e de superioridade do homem branco em relação aos outros povos e em relação à mulher. Em suma todos esperam que o mundo regrida pelo menos uns 200 a 300 anos. No entanto não me parece sur isso vá acontecer. Trump pode ter muitos defeitos mas vai saber jogar com inteligência o seu mandato. Ele sabe que está num país onde os políticos são muito vigiados e ele não vai querer fazer asneira. Além disso e como já escrevi no artigo anterior, a mim parece-me que houve mais marketing do que realismo nas suas frases. Por exemplo não acredito que ele vá construir o tal muro na fronteira com o México. Pelo menos o seu discurso de vitória já foi conciliador e espero que continue nessa onda.

– possibilidade de confrontos e tensão social: como também disse no artigo anterior era uma forte hipótese e a verdade é que já começou. O facto é que a presidência de Trump não vai ser fácil ou não fosse ele uma pessoa polêmica.

– abandono do tratado de Paris do cop21: aqui espero bem que ele não cumpra esta promessa. Seria um rude golpe na defesa do clima. Ainda por cima sabendo-se que os EUA é um dos maiores poluidores do mundo.

– abandono do tratado com o irão sobre armas nucleares: outra promessa que espero não ser cumprida. Depois dos esforços feitos pela administração Obama, seria idiota deitar todo esse esforço por água abaixo.

– abandono da NATO e isolacionismo: ao longo da sua história os EUA tiveram momentos isolacionistas e outros intervencionistas mas desde a I guerra mundial que o país enveredava sempre pela segunda hipótese. Eu como europeu espero que assim continue. Ainda por cima numa altura em que temos como vizinhos 2 ditaduras perigosas! Quer queiramos quer não precisamos dos EUA para nossa protecção.

– boas relações com Putin: a maior ameaça de Trump, se for avante. Começa-se a perceber melhor porque Putin desejada a vitória do magnata americano. Vai ter mais carta branca para continuar a violar o direito internacional. A não ser que Trump acorde e veja de facto quem é na realidade o presidente russo.

– acabar com o terrorismo islâmico: merece todo o apoio e espero que seja mesmo verdade. Infelizmente nunca deu indicações de como iria fazer-lo. Mas talvez como empresário esteja a resguardar-se ou não fosse o segredo a alma do negócio.

– a influência dos lobbies que o apoiaram na campanha: é além de Putin, aquilo que receio mais. Se ele se rodear de uma equipa com defensores das armas (NRA), creaccionistas, religiosos de extrema-direita, segregacionistas e que rejeitam o conhecimento científico então vai ser um péssimo sinal sobre o que o futuro nos poderá trazer.

Para terminar digo que deve-se dar uma oportunidade e que eu pessoalmente não votaria em nenhum dos candidatos principais. Agora esperemos que Trump surpreenda pela positiva e desiluda os que o apoiaram.

 

 

 

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