Os Comandos e o populismo ingénuo do Bloco de Esquerda.

boina

 

Na ultima semana os Comandos foram noticia pelas piores razoes. Dois recrutas morreram durante a prova de instrução e mais alguns foram internados com evidentes problemas de saúde. Uma das primeiras reacções a estes tristes acontecimentos veio da parte do Bloco de Esquerda que através da sua dirigente Catarina Martins, pediu a extinção desta força especial. Devo dizer que sou anti-militarista e que fiquei contente de nao ter ido à tropa mas vejo neste pedido do BE mais um exemplo de populismo ingénuo já tradicional da esquerda. Esse mesmo populismo que fez que ao longo dos tempos se tivesse construído uma imagem da esquerda como pacifista e outra da direita como militarista. A esquerda era e ainda é assim vista como defensora dos oprimidos, pacifista por natureza e humanista por convicção enquanto que a direita era principalmente a força da guerra, a doutrinação militar e o gosto pela ordem e pelo colectivo em detrimento do indivíduo. No entanto estas imagens foram baseadas em parte em falsas interpretações e muita confusão da historia recente. Principalmente nas duas guerras mundiais. O pacifismo da esquerda sempre foi algo que so funcionaria do ponto de vista deles. Isto é, nao algo que fosse uma verdadeira paz mundial mas uma paz que so fosse valida com o triunfo da sua ideologia. E isso tem-se verificado principalmente desde a implantação do comunismo na Russia em 1917. Trata-se portanto de um pacifismo falso e hipócrita que apoia uma utopia militarista, perigosa e no fundo anti-pacifista. Basta ver a importância dada nos regimes comunistas antigos e actuais ao exército. Isto porque no fundo o comunismo é tao militarista como o fascismo com a agravante de usar um desejo inerente a toda a humanidade para se expandir e com isso enganar os mais ingénuos. E a revolução de 1917 ao mesmo tempo da I Guerra Mundial mais a consolidação do comunismo com Estaline durante a II Grande Guerra serviram de base para uma esperança cega de uma sociedade sem classes e sem opressores nem oprimidos. Por isso ainda ha muita gente que defende esses regimes ditatoriais de esquerda antigos e actuais porque vêm neles a imagem da paz por contraposição ao fascismo. No entanto repare-se como Lenine e Estaline conseguiram as suas vitorias com muito sangue que envergonharia qualquer verdadeiro pacifista. Nao estou com isto a defender o fascismo, o qual sou completamente contra mas tal como nao acredito na vitoria do militarismo exagerado também nao acredito no pacifismo ingenuamente ideológico. E também nao estou a atacar o desejo do pacifismo mundial. Mas para isso e apesar de achar que é muito difícil tenho a certeza que pelo menos uma das condições é o corte com qualquer tipo de extremismo. Isto é, a paz nao pode vir nem da extrema-esquerda e muito menos da extrema-direita. Ja agora saliente-se que actualmente o “pacifismo” de esquerda ja nao é tanto como resposta ao fascismo mas sim contra ao “imperialismo americano” e o sionismo. Nestes casos repare-se como a extrema-esquerda joga um jogo perigoso ao fazer a apologia da violência contra os EUA e por isso de certa forma ser solidaria com supostos grupos revolucionários islamistas que nao passam de grupos terroristas. E repare-se também como no caso do conflito Israel-Palestina, do ponto de vista da extrema-esquerda a paz so vai chegar quando Israel deixar de existir. Um pequeno exemplo portanto do que escrevi acima sobre a busca de um pacifismo ideológico e nao mundial.

Ora é no seguimento desta visão da extrema-esquerda por parte dela própria que Catarina Martins fez a proposta de extinção dos Comandos. Mas mais uma vez temos um exemplo de ingenuidade visto que este pedido é nao reconhecer a importância das forças especiais para a segurança nacional e depois se médicos sao responsáveis pela morte de alguns doentes, nao é por isso que se vai pedir o fim do sistema de saúde em Portugal, pois nao?

O que é preciso é primeiro compreender o que realmente se passou e depois reformar visto que se extinguir é um exagero, deixar tudo na mesma depois do que se passou é um erro. Sendo uma tropa especial é certo que é muito mais exigente e quem para la vai sabe isso mas uma coisa é ser difícil e outra é ser abusadora como vi uma vez num video antigo. Nas forças armadas é preciso criar homens e mulheres e nao humilhar ao ponto de denegrir a saúde dos instruídos. Nao quero dizer que foi isto o que aconteceu neste caso mas é certo que ha uma tendência a puxar ao máximo os limites do esforço humano nas tropas especiais por vezes de forma exagerada.

 

 

 

PS: Nestas horas de dor, apresento minhas condolências às familias enlutadas!

 

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