Portugal e a espera de milagres nas olimpíadas.

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Acabaram neste domingo passado os jogos olímpicos no Rio de Janeiro e mais uma vez houve alguém para salvar a honra do convento da missão portuguesa. Desta vez foi Telma Monteiro que finalmente deu uma medalha ao nosso país. Se é um facto que Portugal tem ganho mais diplomas olímpicos, de edição em edição, sera que isso chega para afirmar que este ano foi a melhor participação de sempre da equipa portuguesa como fez o seu chefe? Sinceramente nao me parece. Em primeiro lugar porque existe quadro de medalhas e nao quadro de diplomas, portanto estes sao bem-vindos mas nao sao o ponto mais importante numas olimpíadas. E em segundo lugar porque pareceu-me sobretudo uma forma de disfarçar a desilusão por nao se ter conseguido o numero de medalhas que se esperava. Assim sendo, nao tendo sido na minha opinião, a mais fraca participação de sempre de Portugal nuns jogos olímpicos, também esteve longe de ser a melhor e como sempre acontece, no final ficou-se com a sensação de que as coisas nao correram bem como o previsto. E como explicar este fracasso? A verdade é que todos os intervenientes têm culpa. A começar pelos atletas. Isto é, ninguém põem em duvida o esforço e sacrifícios que eles fazem durante as suas vidas para participarem numas olimpíadas, mas ao atleta português alimentado pela modéstia, falta, parece-me, mais garra e tenacidade no objectivo da vitória ou pelo menos de chegar às medalhas. E essa falta nota-se mais precisamente nos jogos olímpicos. Penso que até se pode dizer que parece já ficar contente em chegar ao fim duma prova. Satisfação essa que é visível na forma como muitos atletas da nossa praça levantam os braços em sinal de vitória, quando chegam a meio ou mesmo na parte final. Como nunca vi (pelo menos não me lembro) atletas de outros países a fazerem o mesmo, só posso concluir que contentamo-nos com pouco. E nem o facto de não terem o apoio que mereciam, pode justificar  (pelo menos na sua totalidade) a falta de resultados de mais valia. Em primeiro lugar porque Portugal já teve resultados melhores em situações onde o apoio era nulo ou quase inexistente. Valiam nessa altura atletas geniais e fora de série. E em segundo lugar porque houve países de igual ou menor população e/ou economicamente mais pobres do que Portugal mas que conseguiram melhores resultados. Exemplos: Bahamas, Uzbequistão, Hungria, Quênia, Jamaica, Fiji, Costa do Marfim, etc.. Mas claro a principal responsabilidade não é dos desportistas porque estes só se preparam na possibilidade das condições que têm. Para encontrar os principais culpados de mais um semi-fracasso temos de ir em primeiro lugar a quem está por detrás de toda uma missão que tem por suposto objectivo levar bem longe o nome de Portugal. Isto é os responsáveis e organizadores de uma missão. Não se percebe como é que foram às duas maratonas atletas que não estavam na melhor forma, sendo até que na maratona feminina foi preterida uma atleta que tinha melhor tempo do que uma das seleccionadas. Portanto parece-me que houve aqui má organização por parte dos gestores da equipa portuguesa. Certo que as coisas já melhoraram muito (basta lembrar o desastre de Barcelona 92) mas erros como estes pagam-se caro e dão má imagem ao Comité Olímpico de Portugal.

Mas no fundo, no fundo se os desportistas não fazem melhor, a principal responsabilidade é da consciência fechada de um país que só vê futebol e espera que caiam milagres do céu. Este ano tivemos o exemplo absurdo de alguns dirigentes desportivos não terem autorizado jogadores das suas equipas a representarem a selecção nacional olímpica de futebol. Só isto mostra a insensatez de gente que não compreende a importância dumas olimpíadas para o prestígio de uma nação. Mas não são só dirigentes que padecem de uma maior cultura desportiva e olímpica. Se ao longo dos tempos a situação tem melhorado no que toca ao apoio, ainda muito há por fazer. De facto como os sucessivos governos e os empresários não vêm muito de avantajoso em apoiar desportistas, a não ser que sejam jogadores de futebol, então preferem não fazer-lo. Na cegueira do curto prazo, não conseguem ter uma visão mais ampla e virada para o futuro e nos jogos olímpicos não vêm nada de interessante porque para eles, dali não vem dinheiro como acontece num mundial ou europeu de futebol. E no entanto como se enganam. No fundo em vez de apoiarem desportistas que podem chegar longe, preferem correr um menor risco e apoiar atletas que já venceram. E assim já existe uma “cidade” do futebol (sabe-se lá para quê) quando existem vários desportos que estão longe do apoio que deveriam ter.

Ora enquanto esta mentalidade continuar, enquanto em Portugal se ver os jogos olímpicos como uma prova menor, enquanto os atletas continuarem a fazer sacrifícios pessoais sem quase nenhuma correspondência de apoios e patrocínios ,então infelizmente vamos continuar à espera de milagres.

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