Erdogan: populismo e islamofascismo numa Turquia ameaçada.

 

Soldados do pretenso golpe de Estado, detidos em Istambul. Photo: Gokhan Tan/Getty Images.
Soldados do pretenso golpe de Estado, detidos em Istambul. Photo: Gokhan Tan/Getty Images.

Este artigo tem a sua génese a já muito tempo atras. Desde que Erdogan tomou o poder na Turquia. Sim, digo tomar, porque isso de ganhar eleições nao significa nada, principalmente da forma como ele as ganhou. Mas logo ai é que se viu que tipo de político era e que os seus actos vieram confirmar depois. Sempre disse que a Europa tem à sua porta dois lideres políticos com os quais deve ter muito cuidado devido à complexidade estratégica que os países que governam representam e que sao Putin e Erdogan. Nao ha duvida nenhuma de que ambos representam um poder musculado e anti-democrático através do qual têm imposto uma visão pessoal da forma de governar e de olhar para os seus países. No caso de Erdogan, parece nao haver duvidas quanto à tentativa de islamizaçao da Turquia substituindo o sistema laico existente desde Kamel Ataturk. Ora este lento transformar da política turca e por conseguinte da sociedade através de um autoritarismo fascista e religioso esta a mudar a forma como o mundo ocidental olha para aquele país que começa a ser visto com receio e apreensão. Neste sentido existem no entanto e ainda alguns lideres europeus que teimam em ver na Turquia um aliado com o qual se deve negociar. E no entanto os sinais têm sido evidentes na negação da democracia e no abuso de poder, abafando toda e qualquer tentativa de oposição. Desde a repressão das manifestações pro-democracia na praça Taksim em Istambul a alguns anos atras até às recentes purgas que têm atingido todos os sectores da sociedade, o sistema totalitário turco nao se tem poupado a esforços na sua luta para impor a ditadura de Erdogan e negar todos os direitos humanos aos poucos resistentes que tentam contrariar o desastre do seu país. E por falar em Purgas nunca se viu tanta hipocrisia como actualmente. A tentativa de golpe de Estado que deu origem a essas purgas foi na minha opinião e nao so, um plano feito pelo próprio governo para depois justificar as prisões de jornalistas, generais, intelectuais, etc. E se nao foi, entao o governo aproveitou bastante bem a situação. Mas nao deixa de ser estranho que um dos exércitos mais bem equipados do mundo se tenha deixado dominar tao facilmente pelo povo. Depois é impressionante como em tao pouco tempo já se sabia quantas centenas de pessoas tinham de ser detidas e como foi tudo feito, o que indicia que as purgas já estariam a ser preparadas muito antes do suposto golpe de Estado. Ao que parece Erdogan nao aguentou a lentidão do processo de mudança da sociedade ao seu gosto e tratou de acelerar as coisas. 

     Erdogan é um populista, islamo-fascista que faz um discurso anti-Ocidente a nível interno e ao mesmo tempo tenta apaziguar as relações com esse mesmo Ocidente dizendo que salvaguarda os direitos humanos no seu país. Quando digo interno nao quer dizer que seja so na Turquia mas também no estrangeiro, ao povo turco, como se viu alias recentemente na Alemanha onde houve uma manifestação a favor do regime político turco mas com o motivo de que era uma manifestação pro-democracia e anti-golpe de Estado. Portanto Erdogan tenta exportar a sua visão de poder até para fora da Turquia, criando um regresso fantasista ao império otomano.

  Ora esta Turquia islamista nao augura nada de bom nas relações com o Ocidente e mostra o quanto a ingenuidade e a hipocrisia podem ser perigosas. Ingenuidade em pensar que Erdogan combate o terrorismo islâmico quando na verdade o regime tem dado apoio aos terroristas. Ambos têm em comum a luta contra os curdos. Hipocrisia porque o mundo ocidental diz defender a democracia e os direitos humanos e sociais, mas no entanto continua a ter relações diplomáticas com ditaduras, perdurando-as no tempo. Nesse sentido durante muito tempo fui a favor da entrada da Turquia na União Europeia mas com este regime actual vigente naquele país, estaria contra os meus princípios humanistas se continuasse a apoiar-la. O que importa neste momento é que a Europa tem de ter muito cuidado com as reais pretensões do ditador Erdogan. E mais cuidado ainda com a islamizaçao apoiada por ele.  A Turquia parece estar a passar de um Estado aliado da NATO e por conseguinte de uma espécie de fronteira entre o Ocidente e o mundo muçulmano para um ponto de expansão do islão radical como por exemplo a Arábia Saudita. Por isso nao estou a ver em que é que a Turquia de Erdogan pode ser útil no combate ao terrorismo. Esperemos que Erdogan nao substitua definitivamente o laicizismo pelo islamismo. 

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