Brexit: vitória do populismo extremista!

E este fim de semana um terramoto político abalou a Europa. Um terramoto com epicentro em Londres e com consequências certamente duradouras. Mas vejamos a situação. Apetece perguntar, qual foi a parte que os ingleses não perceberam. Anos e anos de construção europeia, com altos e baixos, é certo, mas que foi e tem sido o pilar da paz na Europa, para agora um primeiro-ministro populista e com um sentido eleitoralista, arriscar o seu futuro e o da UE com um referendo despropositado e ainda por cima enganador. Perdeu ele e talvez possa a vir perder a UE, se nada for feito urgentemente nos próximos tempos. Na verdade a UE já tinha começado a perder desde a algum tempo pra cá, devido à subida dos extremismos quer de direita e de esquerda e que agora sofreram um empurrão com este referendo que foi ele próprio resultado desses extremismos populistas que são provavelmente a maior ameaça à Europa neste momento. Maior mesmo do que a ameaça terrorista islâmica. As consequências não se fizeram esperar. Todos ou quase todos os partidos extremistas já pediram referendos, o que mostra bem a sua intenção. Destruir a paz na Europa e dar lugar ao regresso aos nacionalismos, ao cada um por si, quando todos sabemos que isso é conversa do passado e que no presente nenhum país europeu pode sobreviver sozinho. Os tempos são outros mas para essa gente custa perceber isso e custa abandonar-los. Também e talvez por isso, no referendo a maioria dos eleitores mais velhos tenham votado pela saída da União Europeia, saudosismo do império britânico, enquanto os mais novos votaram em maioria pela permanência. Também de referir que só na Inglaterra é que se votou em maioria pela saída, enquanto na Escócia, país de Gales e Irlanda do Norte ganhou ficarem na UE. Até nisto David Cameron perdeu e já se pede nesses territórios para que se a Inglaterra sair, eles continuarem a fazer parte da UE. Infelizmente esta organização não permite isso.

Certo que ao longo dos tempos, a UE nem sempre tem tomado o melhor caminho e de facto seria bom que houvesse uma reforma para dar lugar a uma nova UE mais igualitária, menos burocrática e mais virada para as pessoas. Depois do que o velho continente sofreu ao longo dos tempos, seria um erro enorme destruir o projecto europeu e talvez por isso o brexit seja uma oportunidade, um mal que vem por bem, que vai obrigar os políticos a acordarem.

Gostaria também  de fazer uma chamada de atenção para o caso português. A quem já peça referendo e mesmo a saída da UE. Ora pedir estas coisas é mesmo não perceber as vantagens que nos trouxe a UE. Certo e como já escrevi nem tudo é positivo mas para se perceber melhor vejamos esta comparação: quando havia uma crise na era do escudo, desvalorizava-se a moeda e a vida continuava. Varria-se assim o lixo para debaixo do tapete sem uma reforma séria que pusesse o país nos trilhos. Com a entrada no euro, Portugal foi obrigado a repensar a sua forma de combater a crise e a verdadeiramente fazer reformas sérias e estruturais para verdadeiramente a combater. Por vezes, dolorosas é certo mas necessárias. Além do mais e é muito importante, com a entrada na UE, existem agora órgãos vigilantes que tomam conta de ocorrências menos transparentes e por isso a probabilidade de haver corrupção é muito menor do que no tempo em que a classe política portuguesa não tinha de prestar  contas a outros órgãos acima dela. Assim não há nenhuma razão para se abandonar o barco da Europa excepto o nacionalismo exacerbado e o desejo de a destruir. Neste sentido, o referendo foi uma boa notícia para Putin que impregnado no seu sonho duma Rússia grandiosa, vê com bons olhos o enfraquecimento da sua vizinha europeia.

Certo é que este referendo foi um erro crasso  e ainda por cima com perguntas mal feitas que induziram em erro. Não admira por isso que já haja gente a pedir um novo referendo e a dizer que se soubessem não tinham votado no sim.

Da minha parte, espero que a Grã-Bretanha continue a fazer parte da grande casa europeia e que acima de tudo a democracia recomeçe a reconquistar o espaço da política no nosso continente em vez de ocupada por esses protagonistas da hipocrisia e da mentira que continuam a apregoar a salvação com receitas falsas. O resultado no futuro pode ser desastroso se isto continuar assim.

 

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