Memorial do holocausto de Paris ou uma viagem pela dolorosa memória.

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No exterior do memorial, existe um mural com os nomes de todos os 75000 judeus de França deportados para os campos de concentração.

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Mais uma parte dos 75000 judeus deportados de França.
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Ainda outra parte dos 75000 judeus deportados de França.
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No meio de tanto sofrimento e irracionalidade, existe também a esperança dada por aqueles que contra tudo e todos, tentaram salvar judeus da barbárie nazi. Do lado esquerdo nesta foto, Aristides Sousa Mendes, um dos maiores orgulhos da História de Portugal.
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Talvez o momento mais duro do museu. As fotos de todas as 3000 crianças judaicas que foram deportadas de França para os campos de concentração. Na sua esmagadora maioria, vidas desfeitas apenas porque nasceram pertencendo a um povo. Existe justificação para isto? Não. O Homem é por vezes a miséria da sua própria existência.

Ontem  visitei o Memorial do Holocausto em Paris e apesar de pequeno no tamanho, deixou um forte impacto. Foi até agora o local mais difícil que visitei. Difícil porque os visitantes são constantemente confrontados com a irracionalidade da morte sem sentido, usada como se de uma indústria se tratasse e ao mesmo tempo porque também o são com a eterna pergunta: Como foi possível?

Já se sabe que o homem não é perfeito e por isso pode ser capaz do melhor e do pior  mas isso seria insuficiente e insultuoso mesmo, ser utilizado para justificar o ódio que por vezes faz uma sociedade dirigir-se contra um povo ao ponto de querer a sua exterminação. Nos finais do século XIX e início do século XX o sentimento anti-judaico estava bem presente em toda a Europa e o nazismo não foi mais do que o culminar desse sentimento demonstrado de forma tristemente eficaz nos campos de concentração e nas perseguições principalmente nos países do leste europeu. E nunca antes nem depois houve uma tal busca incessante do extermínio como os judeus sofreram durante os anos em que os nazis estiveram no poder. Isto apesar de ao longo da história vários povos terem sido perseguidos e outros continuarem ainda agora a o serem. Mas o que se passou nos anos 30 do século passado foi algo nunca visto na medida em que o ódio aos judeus era visto como algo tão normal que mesmo pessoas cultas e aparentemente normais partilhavam desse sentimento. Por exemplo uma das questões mais usuais acerca desse tempo é como foi possível que um povo tão instruído como o alemão se tivesse deixado influenciar por um simples cabo e aceitasse o seu projecto de eliminar a presença judaica na Alemanha? A verdade é que a Europa desse tempo construiu um fardo que ainda hoje carrega porque continuaremos sempre a suportar sobre as nossas costas a vergonha de um crime contra a humanidade que empobreceu um pouco mais a nossa consciência humana. Mesmo que não sejamos responsáveis directos de algo que não é do nosso tempo, não podemos usar isso para fugir à nossa própria responsabilidade com o presente e o futuro.

 

 

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