Muhammad Ali (1942-2016): mais do que um lutador!

Source: United Nations facebook
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Conta a historia que um dia, já depois de ter ganho a medalha de ouro nos jogos olímpicos de Roma de 1960, Muhammad Ali juntamente com um amigo tentou entrar num restaurante so para brancos no sul dos EUA e mesmo depois de ter mostrado a medalha de ouro, viu-se-lhe recusada a entrada. Como se já nao bastasse foi perseguido por um grupo de racistas brancos que no entanto ficaram muito mal tratados. Quando ele e o amigo chegaram perto de um rio, pegou na medalha ganha em Roma e viu que afinal nada tinha mudado na sua vida. Continuava a ser um negro vitima de discriminação à qual nem o facto de ter sido campeão pelos EUA viera travar. Achou aquela peça de metal inútil e atirou-a ao rio.
Ao que parece esta historia tera sido em parte inventada, mas isso nao obsta ao facto de que mostra bem a personalidade combativa de Muhammad Ali, nao so dentro do ringue como fora dele. Por isso escrevo sobre ele aqui, porque nao foi so o maior lutador de boxe de todos os tempos como também foi um activista pelas minorias e contra as discriminações e injustiças das quais ele próprio foi também vitima durante a sua vida. Ao longo desta, ele foi polémico e provocador tanto no desporto como fora dele, mas foi sempre na linha de uma conduta de combate por um mundo melhor ou pelo menos por aquilo que ele acreditava ser um mundo melhor. Por exemplo quando se converteu ao islamismo sunita e recusou a integração por achar que a comunidade muçulmana tinha valores próprios e por isso nao se devia imiscuir na sociedade ocidental ou quando fez da sua negritude um elemento de superioridade e combate contra os brancos,nao se pode dizer que tenha tomado uma posição de tolerância. No entanto, Muhammad Ali sabia mudar e nao ficar fechado numa visão entorpecida do mundo. Mais tarde abandonaria o sunismo para se converter ao sufismo (talvez a doutrina mais tolerante e pacifista do islão) e apesar de no inicio da sua actividade cívica ter aproveitado a sua fama para se radicalizar contra aquilo que ele considerava ser o domínio branco ( a objecção à guerra do Vietname foi o mais conhecido exemplo), o facto é que mais tarde tornar-se-ia uma referência de todos os que lutavam e lutam contra o racismo e discriminação tendo até influenciado Martin Luther King e Nelson Mandela.
Poderia dizer-se que havia dois Muhammads Alis: o que massacrava os seus oponentes no boxe e o que ajudava os mais necessitados e os que eram mais vitimas de injustiça. Em 1978 recusou lutar na África do Sul em protesto contra o Apartheid, em 1990 interveio com êxito na libertação de reféns no Iraque e em 1998 foi nomeado embaixador da Boa Vontade pela ONU. Além disso criou o Muhammad Ali Center para lutar pelos direitos civis e o Muhammad Ali Parkinson Center para ajudar a combater esta doença. E isto sao apenas alguns exemplos de uma vida dedicada à luta em todos os sentidos. Talvez por isso tenha sido considerado o maior desportista do século XX. Porque na verdade era muito mais do que isso! A sua herança ficara para sempre!

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