A problemática do mediatismo populista como factor de origem do político na actualidade.

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Nos EUA, Donald Trump parte como favorito para a nomeação como candidato republicano às eleições presidenciais. E assim sera se nada de anormal acontecer até à convenção do partido. Esta mais que provável escolha, surpreendente e assustadora, encerra em si um conjunto de factores que poderão ditar o futuro da classe política. Esses factores podem resumir-se em quatro palavras: populismo, mediatismo, desinteresse e ignorância. Vou falar a seguir de três nomes que nao tendo nada em comum entre si no que se refere às personalidades, sao num entanto um bom exemplo dos tais factores de construção de um político e os quais referi acima. Um desses nomes ja o falei aliás, os outros dois sao Marcelo Rebelo de Sousa e Tiririca. Certo que por estes três nomes ao mesmo nível é um pouco forçado, principalmente para Rebelo de Sousa que tem uma carreira política com muito maior peso do que os outros dois, mas para aquilo que interessa aqui, ele próprio beneficiou para a sua eleição como presidente da república. Mas comecemos pelo principio. Muito provavelmente, nenhum destes candidatos teria sido escolhido se nao fosse pela ajuda involuntária mas muito preciosa dos média, pelo populismo e também popularidade e pela apatia das pessoas, através da qual escolhe-se os nomes mais sonantes mas nem sempre os melhores preparados.
Donald Trump nao é a primeira vez que concorre para presidente dos EUA mas das outras vezes tinha o bom senso de nao ir até ao fim. Desta vez no entanto parece mesmo decidido a nao desistir e apesar das sondagens apontarem Hillary Clinton como favorita num confronto entre os dois, o mundo encontra-se em suspenso duma possível vitoria dele. Como é que se chegou a este ponto? Antes de tudo o nome. Donald Trump é uma personalidade bem conhecida no seu país, tanto para o bem como para o mal. Depois e aproveitando essa fama, a presença num reality-show que o tornou ainda mais conhecido dos norte-americanos. Ora, nao ha duvidas de que essa construção mediatica foi um grande impulso para o sucesso da sua actual campanha política. Mas isso nao bastaria, senão ele já teria tido sucesso mais cedo. O outro factor que contribuiu para um provável desfecho com êxito no campo republicano é o cada vez mais notório e crescente alheamento das pessoas em relação à política, o que explica que alguém com propostas simplistas, populistas e xenófobas, seja o mais que provável candidato do partido republicano.
Quanto a Marcelo, também beneficiou e muito do facto de ter sido comentador televisivo muitos anos, o que fez com que quase nao precisasse de fazer campanha para a presidência da república. Mais uma vez o mediatismo ao longo dos anos foi preponderante para que a sua campanha chegasse a bom termo. Teria Marcelo ganho, sem essa popularidade televisiva? Muito provavelmente nao como aliás se pode ver da sua longa mas pouco vitoriosa carreira política. Mas numa bizarra eleição para a presidência da republica, ganhou o nome mais conhecido mas nao o melhor preparado para tal cargo. Estou curioso para ver até onde vai com o seu idealismo do compromisso e de tentar dar-se bem com todos.
Finalmente o mais improvável, o palhaço Tiririca. E digo palhaço, nao como uma espécie de insulto mas porque era mesmo a sua profissão antes de se tornar deputado federal em Brasília. Tiririca é, tal como Trump, alguém que nao tem carreira política mas que conseguiu ser eleito por causa da sua popularidade. A diferença entre os dois é que ao menos Tiririca nao usou uma campanha populista que se aproveita do descontentamento das pessoas sem procurar soluções reais para os problemas. Lembro mesmo que a vitoria de Tiririca foi envolta em polémica porque dizia-se que era analfabeto. Mas parece que afinal era uma ideia falsa sobre a sua pessoa.
O que se pode concluir da analise destas três escolhas políticas? Que vivemos numa época dominada pelo mediatismo onde as propostas políticas interessam menos do que a popularidade dos candidatos. Uma época perigosa onde pessoas sem a mínima preparação, conseguem atrair multidões com propostas populistas que nao fazem mais do que adiar os problemas. Políticos que conseguem fazer descer o nível da sua classe ainda mais baixo e que nao sao mais do que aproveitadores em tempo de crise. Claro que nao estão todos no mesmo saco no que toca às ideias políticas mas têm em comum essa união entre mediatismo+popularidade ou populismo conforme os casos e que pode tomar caminhos perigosos como o caso de Trump ou ainda outros nomes tais como Marine Le Pen, Beppe Grillo, Jardel ou ainda Pablo Iglesias. A ilusão do milagre e a esperança da utopia levam as pessoas a acreditarem em falsos profetas e/ou a elegerem pessoas que nao sendo nocivas, nao sao as necessárias para os cargos que ocupam. Mas a juntar a isto ha que falar do alheamento do outro lado e que explica em muito o descontentamento do povo em relação aos políticos. Talvez que se a classe política europeia nao fosse distante e fechada sobre si mesma, hoje em dia nao estivéssemos a assistir ao renascimento das extremas esquerda e direita. Por causa disso, as pessoas procuram soluções novas e de preferência fora do sistema mas a verdade é que as propostas que se apresentam sao verdadeiras ameaças para a sobrevivência do mundo ocidental. Como já disse anteriormente, podemos ter queixa da classe política que nos tem acompanhado ao longo dos anos tanto a nível nacional como internacional, mas se o mundo esta à espera que esses populistas mudem o sistema para melhor entao lamento em dizer que a desilusão vai ser enorme. Certo que o mundo precisa de mudança mas nao de uma mudança assim. Resta esperar que essa moda da política populista desapareça tao rápido como apareceu e que venham políticos realmente interessados na resolução dos problemas.

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