O mundo do imediato.

Uma das frases mais “proféticas”, conhecidas da historia foi proferida por Andy Warhol e dizia: “No futuro, toda a gente vai ter os seus 15 segundos de fama.” Nao sei se o artista pop norte-americano tinha dons adivinhatorios mas pelo menos tinha uma ideia do que se ia tornar a sociedade no futuro. O que ele nao contaria, talvez, era a forma como essa sociedade iria ultrapassar a sua “profecia”. De facto, desde os anos 60 (altura em que Warhol disse essa frase) até à actualidade, o mundo evoluiu de tal forma, que a famosa frase é apenas uma parte do sentido dela decorrente. E esse sentido é o do imediato, aliado à vulgaridade. E em que sentido é que falo aqui da palavra imediato? Nao é so na vertente da fama rápida e do sucesso descartável que esta tao na moda agora, mas também no sentido de uma sociedade mais impaciente, mais nervosa e onde se perde o sentido da realidade que nos cerca. Hoje em dia, o mundo (pelo menos o ocidental) vive numa espécie de alienação provocada por uma busca incessante por uma aparente felicidade que na verdade acaba por separar as pessoas do próprio significado de viver. Tudo muda muito rápido, tudo muda de forma incessante e nem sempre para o melhor. Nao se pára para reflectir, para apreciar a beleza da vida, para olhar com paciência o que foi, o que é e o que sera. Como disse no inicio, os 15 segundos de fama, sao apenas uma parte deste mundo stressado, quase escravo da sua propria impaciência. Vive-se num mundo a 100 à hora sem que saiba dirigir e qual o caminho a escolher. No mundo artístico isso é mais do que obvio. Criam-se e destroem-se artistas em menos tempo do que uma chama de um fósforo demora a apagar-se. A preocupação pela qualidade é mínima, o importante é que se venda e muito, principalmente na musica, promotora de idolatrias inexplicáveis excepto pela propaganda abusiva que alimentada pela fome de dinheiro vai inculcando nas pessoas a vontade de consumismo desenfreado sem mesmo julgarem a qualidade de certas cantoras e cantores. Mas nao é so na musica. Na literatura, tudo e mais alguma coisa se publica, mesmo se a qualidade deixa muito a desejar. E se for alguém famoso, entao é certo que o seu livro sera publicado, mesmo que nao saiba escrever uma linha. Chega-se ao cumulo de se chamar a essa gente de escritores, pessoas que quase sempre têm falta de sensibilidade literária sobrando isso sim em lamechice pimba apenas para puxar ao choradinho e à emoção. Na televisão e na internet entao é o pão nosso de cada dia. O ridículo esta na moda, o voyeurismo transforma-nos em espiões da vida alheia. A busca incessante de audiência nivela certos canais por baixo. Nao ha respeito e nao ha ética, porque o que interessa é vender mesmo com doses maciças de calunia e sensacionalismo. Mas neste ciclo infernal de consumismo desenfreado ha outros exemplos aparentemente normais mas na realidade absurdos de um mundo em auto-destruição imperceptível e porém tao evidente. O bombardeamento maciço de publicidade, que nao é mais do que o exército colonizador dos abutres do capitalismo selvagem e que vai hipnotizando os nossos cérebros! Como é bizarro ver manadas de pessoas e principalmente jovens a invadirem de forma apressada os centros comerciais como se no mundo nao houvesse mais nada para ver ou fazer. E como é bizarro ver jovens a se fotografarem em frente a centros comerciais como se estivessem a visitar algum monumento importante. Arrastam-se pelo consumo, pelas ultimas novidades como se nao houvesse o amanha. Mas e na internet, mais precisamente nas redes sociais? O mundo corre a 1000 à hora, com informações e desinformações, mentiras e montagens, tudo numa corrida incessante ao “gosto” e à “partilha”. Tudo serve para atrair, nem que seja inventar de forma vergonhosa, historias lacrimejas ou feitos supostamente do outro mundo mas que na verdade sao na sua maioria vulgaríssimos. De repente toda a gente é escritor, cantor, actor e famoso. As pessoas querem tudo demasiado rápido porque estão hipnotizadas pela febre de consumir que por sua vez é exacerbada pelo mundo sedento de um capitalismo que vive da fome consumista e desnecessária das pessoas. E ainda outro exemplo é no desporto, sempre sob a batuta do dinheiro. No futebol, principalmente os grandes clubes tentam descobrir o novo Ronaldo ou o novo Messi, garantia de qualidade mas também e principalmente de muitas camisolas vendidas. Tudo gira à volta do dinheiro. Sempre foi assim, mas a actualidade é assustadora quando se vê crianças que mal sabem dar chutos numa bola a terem contratos quase milionários com a complacência de pais que parecem esquecer-se que se trata duma criança.
Neste mundo imediato nao se pensa, consome-se, espia-se, banaliza-se a existência do banal e vulgariza-se a pobreza intelectual como se a falta de cultura fosse algo positivo. E esta falta de reflexão leva à popularidade dos extremismos. Mas isso é apenas uma das causas desta alienação do imediato em que vivemos e so isso daria para um outro artigo. Eu por mim vou continuar a ler, a escrever e a viver a minha vida orgulhosamente desligado deste mundo consumista hipnótico mas nunca abandonando a observação da vida que me cerca.

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