Uma mae israelita e uma mae palestiniana pela paz!

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Robi Damelin e Bushra Awad na conferência “Mulheres no mundo 2015” no Centro Lincoln, Nova Iorque a 22 de abril de 2015. Photo: site oficial de Mulheres no Mundo (Women in the world)

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    Todos os dias somos invadidos através dos media com noticias de violência vindas do Médio-Oriente, nomeadamente por causa do conflito israelo-palestiniano. Pena porém que a comunicação social se preocupe tanto em mostrar o lado negativo da relação entre Israel e Palestina e nao tenha a mesma atenção em divulgar os aspectos positivos dela. Digo isto a propósito de uma noticia que li esta semana e que foi muito pouco ou mesmo nada divulgada. Pelo menos, nao vi nada sobre o assunto. No meio do caos israelo-palestiniano, no meio da destruição que leva à formação temporal do ódio e da vingança, existem pessoas que tentam mudar essa fatalidade de um conflito físico e psicológico sempre presente porque sabem que é precisamente a destruição a causa de tal destino. Sao pessoas corajosas que muitas vezes vao contra o pensamento dominante que é a causa do sofrimento e dor contínuas e contra o qual tentam impor um sinal de esperança! Isso foi o que aconteceu com 2 mães, uma palestiniana e outra israelita, que perderam ambas um filho e que testemunharam a sua historia num livro escrito pela jornalista Anne Guion. Elas chamam-se Bushra Awad e Robi Damelin e  o livro tem como titulo: “Nos larmes ont la même couleur”* (tr:As nossas lagrimas têm a mesma cor.)

    Robi Damelin, sul-africana chegada a Israel nos anos 60, perdeu o seu filho de 28 anos em 2002 abatido por um sniper num check-point quando ele efectuava o seu período de reserva. David era um activista pela paz que nao queria servir nos territórios ocupados. Ao fim de muitos anos, Robi pode falar com famílias israelitas e palestinianas enlutadas através da associação Circulo de Pais-Fórum de Famílias, o que a fez sentir melhor na medida em que eles também compreendiam a dor de uma perda.

Bushra Awad perdeu o seu filho Mahmoud de 17 anos morto por soldados israelitas em 2008. Quatro anos depois da tragédia uma amiga convidou-a a ir tomar um café o que ela aceitou. Pouco depois uma mulher judeia chegou ao café e ela quis partir porque nao podia ficar com uma inimiga que lhe havia assassinado o filho. Essa mulher era Robi.

Actualmente as duas mulheres trabalham juntas na associação referida anteriormente. Foi la que a jornalista Anne Guion as descobriu e teve o projecto do livro. Nela reúnem-se famílias da Cisjordania, de Israel e da faixa de Gaza. Nessas reuniões tentam compreender o outro lado e procurar o seu humanismo. E quando o encontram, fica mais fácil acabar com o conflito porque sabem que sao todos humanos e passaram todos pelas mesmas amarguras da vida provocadas por uma situação evitável.

Bushra Awad e Robi Damelin sabem que a associação nao acabara com a guerra mas sabem que a sua acção é um começo de solução para as vitimas. Para elas so haverá paz se houver um acordo com reconciliação.  Sem isso haverá apenas um cessar-fogo até ao próximo. E essa reconciliação já começou com as mães palestinianas e israelitas enlutadas porque ninguém melhor do que elas sabem o quanto absurdo é este conflito. Elas esperam que um dia possam divulgar a uma so voz o seu esforço a todo o mundo e assim servir de exemplo.

*Por enquanto nao tenho conhecimento de que o livro esteja à venda nos paises do PALOP.

Fonte: “Le Courrier de l’Atlas – France: Une palestinienne et une israélienne, d’une même voix pour la paix.

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