O tempo parado do radicalismo religioso.

Boicote de evangélicos arrasa novela da Globo – TV & Media – DN.

Mais uma vez os radicais religiosos, auto-denominados arautos da verdade e guardiões benzidos da moral, dao um exemplo de radicalismo intolerante e retrocesso social. Nada a que já nao estivéssemos habituados, sendo que desta vez porém o caso nao vem do mundo muçulmano, mas sim do mundo cristão (aquele onde vivemos, quer sejamos religiosos ou nao) e isso devia fazer-nos reflectir sobre esta sociedade em que vivemos, embora nao surpreender porque so mesmo quem esta muito distraído é que pode pensar que radicalismo é so no islao.

Importa dizer que ja ha bastantes anos que nao vejo novelas. Deixei de gostar ha muito e nao me interessam. Porém o artigo partilhado em cima é um bom exemplo, 1° duma intolerância baseada numa interpretação literal dos textos sagrados e em 2° do sempre presente retrocesso temporal notado numa recusa em compreender o mundo onde vivem, em adaptar-se à actualidade. E isto nota-se em qualquer religião, senão vejamos: no islão e como ja se sabe, existem movimentos e grupos radicais que tentam impor pela violência, mas também por métodos menos visíveis como a internet, uma visão intransigente dessa religião; na Índia (maior democracia do mundo e terra de Gandhi) existem vários exemplos de rivalidade religiosa quer seja entre hindus e muçulmanos, entre hindus e cristãos ou ainda entre estes e muçulmanos; na Europa, tanto na oriental como na ocidental existem grupos integristas católicos e ortodoxos; na religião judaica marcam presença os judeus ultra-ortodoxos; na Birmânia a minoria muçulmana tem sido constantemente atacada e no Brasil e EUA existem vários grupos evangélicos impregnados de um radicalismo doentio. Em comum em todos estes casos (e ainda outros) isso mesmo: a radicalização cega do conceito que apoiam como se o mundo estivesse obrigado a orbitar à volta de um pensamento único e sem possibilidade de o questionar.

Infelizmente, numa contradição inexplicável do mundo moderno em que vivemos, assistimos actualmente a um avanço desta intolerância religiosa que teima em fustigar o avanço civilizacional e procura fazer-nos recuar ao tempo da negação, dos mistérios explicados de forma preguiçosa através de uma simples causa divina, das guerras e invasões ordenadas por uma suposta divindade e de suposto caracter benéfico baseado na opinião egoísta de “a nossa religião é a única verdadeira e por isso temos obrigação de converter os outros”. Tempos de violência cega que se julgavam desaparecidos para sempre mas o ser humano tem por vezes essa característica única e estranha de usar o que o distingue dos animais para se aproximar deles e até mesmo ultrapassar-los. E isso, como ja disse, nota-se muito actualmente. E nao me refiro so aos atentados terroristas dos grupos jihadistas muçulmanos. Na verdade, a única distinção entre estes grupos e outros radicais de outras religiões é unicamente o uso da violência extrema, violência que no entanto nao é exclusiva de grupos muçulmanos como se pode ver no já referido caso da Birmânia onde eles próprios sao vitimas ou ainda em França onde os actos violentos perpetrados por grupos integristas católicos ligados à extrema-direita aumentaram nos últimos meses. De resto o fundamentalismo comum é algo por demais evidente em todos esses movimentos, fundamentalismo que é a primeira causa de violência de grupos que nem sequer se apercebem que vivem numa hipocrisia de se considerarem defensores da paz e da união entre povos mas ao mesmo tempo recusarem o entendimento e/ou pelo menos o respeito entre julgamentos diferentes. E daqui se depreende que no fundo um mundo dominado por estes grupos radicais, seria um mundo em primeiro lugar constantemente mergulhado em guerra e em segundo lugar constantemente invadido pela ignorância, principalmente no que se refere às ciências,  apagadas da presença humana. Seria um mundo intolerante para com a diferença, incapaz de procurar o pacifismo e sempre a girar à volta de livros escritos numa outra era muito diferente desta em que vivemos. E o que isso quer dizer? Quer dizer que por exemplo se os livros sagrados das religiões monoteistas tivessem sido escritos agora, teriam muito provavelmente um conteúdo com algumas diferenças dos livros antigos. E isso justifica o erro de tentar ensinar a moral somente através da religião. Principalmente esta moral hipócrita, falsa e perigosa que tenta pregar a “verdade” mas nao a verdade. O caso da noticia acima é um bom exemplo disso e so posso olhar com preocupação a crescente influência desses grupos extremistas, principalmente no Brasil e nos EUA. Muito provavelmente se nao houvessem essas visões hermeticamente fechadas do mundo onde vivemos, este estaria muito mais evoluído nas relações humanas e nas ciências e com muito menos corrupção e se por vezes é necessário um travão conservador, esses grupos nao precisam de travar porque nunca saíram do sitio. E pensando bem, quem foi uma das primeiras vitimas de intolerância? O próprio Jesus, apesar de ter ensinado o seu contrario. Nao tenho duvidas de que se ele voltasse agora à Terra ficaria surpreendido e desiludido com muitos daqueles que dizem espalhar a sua doutrina e também nao tenho duvidas em que falaria com todo o tipo de gente, mesmo aqueles seres humanos recusados pelo sistema.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s