O contraste entre a xenofobia destruidora e a solidariedade humanista!

       

        Foi à 4 semanas que o mundo teve conhecimento da tragédia de um naufrágio de mais de 700 refugiados no Mediterrâneo. Nao foi a primeira nem ultima vez que tal aconteceu, mas esse caso representou o maior naufrágio de refugiados nesse mar, pelo menos até agora. O numero elevado de vitimas e as imagens de desespero que se espalharam pelo mundo geraram um sentimento de tristeza, de  respeito e solidariedade por essas pessoas que vivem uma vida permanente de sacrifício  onde vivem, na viagem que fazem para procurar um milagre e na nova vida, muitas vezes nao tao boa como a que sonharam. Infelizmente o respeito e a solidariedade nao sao sentimentos aceites por toda a gente nesta Europa mergulhada numa crise económica e por consequência social e humanista. Todos sabemos como é feita a formula: um pais em crise+aproveitamento populista e de extrema-direita=discriminizaçao e culpabilizaçao dos outros! Os de fora sao sempre as vitimas preferenciais, sao sempre os primeiros acusados pelo discurso xenófobo e racista da extrema-direita que nao faz mais do que aproveitar o descontentamento das pessoas por aquilo que é de mais fácil visibilidade. Digo isto porque muitas vezes uma pessoa tem tendência a julgar os factos por aquilo que vê sem sentir a curiosidade de procurar outras causas para explicar o problema europeu actual. E a verdade disto é maior quanto menor é o grau de escolarização de uma pessoa. Por isso é que estas pessoas sao um dos alvos preferenciais dos movimentos de extrema-direita pela maior facilidade com que se deixam influenciar por qualquer tipo de informação, seja ela verdadeira ou falsa. Penso que por isso também a ameaça de confrontação entre autóctones e imigrantes é mais provável de  ocorrer nos bairros sociais onde coexistem pessoas de baixos rendimentos e com um grau de ensino baixo com pessoas vindas do estrangeiro ou herdeiras delas. Esta confrontação sera mais fácil de ocorrer se um país esta em crise económica e se os de fora exibirem meios de riqueza que contrastem com a sua suposta pobreza e dificuldade. E aqui voltamos ao principio. Uma pessoa tem tendência a julgar por aquilo que vê e nesse caso é mais fácil de opinar através daquilo que vê na rua do que através daquilo que se passa a milhares de quilómetros. Chama-se a isto um egoísmo xenófobo que ainda por cima é alimentado pela busca do poder por parte de movimentos fascistas que nao têm nenhuma preocupação ou interesse em melhorarem a vida das pessoas. Estes movimentos vao aproveitar por exemplo o facto de habitantes se sentirem desconfortáveis e desconfiados com a visualização de carros de boa marca conduzidos por pessoas aparentemente sem condições financeiras para os possuírem para criarem um clima de descontentamento em relação a toda uma comunidade ou raça ou como se costuma dizer põem toda a gente no mesmo saco. Basta para isso ser “preto”, “cigano” ou árabe que ou é ladrão ou preguiçoso ou terrorista. Nao sendo falso que ha gente que abusa das condições de ajuda em certos países, é perigoso no entanto generalizar. Em primeiro lugar porque nem todos os de fora sao ladroes, preguiçosos e terroristas e em segundo lugar porque nem todos os autóctones sao inocentes. As pessoas deviam procurar as causas da crise nao so numa aparente (mas falsa) invasão estrangeira mas também na (essa sim verdadeira) invasão e domínio do sistema capitalista selvagem que tal como um polvo vai espalhando os seus tentáculos por todo o lado e principalmente (e isto é muito importante) nos países do  terceiro mundo cheios de recursos naturais mas cheios também de problemas económicos e sociais que fazem parecer os nossos problemas de crianças. Por isso nao se deve e nao se pode esquecer o quanto essas pessoas passam nas suas vidas para terem um pouco de tranquilidade. Nao se podem esquecer as guerras e as perseguições e por isso penso que nao se pode escolher a solução facilitista mas falsa de fechar as fronteiras a todos os de fora. Penso que deve haver sempre um dever, nem que seja temporário, de ajudar essas pessoas, pelo menos até que as condições permitam o seu regresso.
     Mas tudo o que escrevi até agora nao deve incutir nos leitores e leitoras ideias falsas sobre o meu pensamento e que desde já vale a pena esclarecer: nao sou contra o capitalismo mas sim o capitalismo selvagem; nao acho que a Europa deva receber de braços abertos todos os imigrantes, mas também nao se pode fechar a porta a todos ( e nao esquecer que Portugal é um país de emigração); nao sou ingénuo para pensar que vêm todos com boas intenções mas também tenho o discernimento para tentar compreender e separar os que vêm para trabalhar e tentarem ganhar a vida de forma honesta dos que querem apenas aproveitarem-se do sistema social ou pior ainda infiltrarem-se para causarem danos humanos e materiais numa perigosa e ridícula tentativa de guerra santa. E nao penso que a Europa e os outros países industrializados tenham a exclusiva responsabilidade da situação em África. Nao esqueço os regimes ditatoriais que por la pululam e que também sao uma causa da miséria e da violência que vemos todos os dias nos noticiários. Em suma nao sou racista nem xenófobo mas também nao sou cego e nao me deixo influenciar nem por um discurso de extrema-direita contra os imigrantes e nem por um discurso de extrema-esquerda totalmente oposto. Quem vem a bem deve ser bem recebido e quem vem com mas intenções deve sofrer as consequências legais adjacentes disso.
     E para terminar dois factores a nao esquecer: em 1° lugar existem países como o Irao ou a Síria que recebem muitos mais refugiados do que a Europa apesar das suas dificuldades económicas. Ora se esses países recebem refugiados é de crer que a Europa pode fazer muito mais por aqueles que tentam melhorar a sua sorte. Em 2° lugar estas viagens de refugiados vao provavelmente aumentar no futuro e em todo o mundo nao so por causa de guerras e perseguições mas também devido às alterações climáticas que vao provocar mais fome e pobreza social. Tendo em conta isso era bom que os sentimentos de solidariedade e humanismo nao desaparecessem porque vao fazer muita falta!

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2 thoughts on “O contraste entre a xenofobia destruidora e a solidariedade humanista!

  1. Li duas vezes, Bruno. Imagem chocante. Quando eu soube que um barqueiro não pode salvar um náufrago, serão será preso ao aportar, sob alegação de estar transportando imigrantes ilegais, fiquei estarrecida.
    Deixa morrer à deriva?
    Me fez pensar nos Haitianos que ainda chagam em levas pelo norte do Brasil, devido ao terremoto ocorrido a cinco anos.
    Nosso país não é superpopuloso, entretanto também está em crise. Os imigrantes citados descem até a capital de São Paulo para suprir a demanda por trabalho braçal, sobretudo na construção civil (vida dura lá – vida dura cá).
    O que mais me preocupa é que mães continuam parindo a contragosto crianças que não terão o mínimo para uma vida digna. Não sei até que ponto vai a eficácia das políticas da ONU nesta área.
    Bela explanação!
    Abraços

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  2. De facto é pena que os refugiados ainda sejam tratados como cidadaos de segunda. O problema é que as migraçoes de refugiados vao aumentar nao so por causa dos problemas ja existentes como as guerras e o trafico humano mas também por causa das mudanças climaticas. Infelizmente a eficacia da ONU depende dos paises que a compoem. Principalmente dos mais poderosos!

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