Hudea ou um gesto como símbolo do sofrimento das crianças na guerra.

(Foto: Osman Sagirli)
    Nao vou neste artigo contar a historia desta foto. Ela ja é tao conhecida que qualquer pessoa pode procurar na internet pela menina, de seu nome Hudea e de apenas 4 anos, que confundindo uma maquina fotográfica com uma arma, levantou os braços em sinal de rendição. Vou antes falar no mundo  desta criança, no seu gesto inocente, cómico mas ao mesmo tempo triste e trágico. De facto as duas reacções mais prováveis de quem vê esta foto sao um sorriso perante a ingenuidade de uma criança e a pena em ver alguém tao novo e já atingido pela guerra. Quantas vezes  nos rimos perante as reacções das crianças ou pelo menos ficamos embevecidos com os seus enganos construídos numa mente ainda em formação? E também quantas vezes ficamos emocionados ao ver crianças atingidas (seja fisicamente ou psicologicamente) pela guerra? No seu simples gesto, Hudea sem se aperceber, provoca esses dois tipos de resposta e isso num mundo de apenas 4 anos. Esse mundo é um mundo feito de medo e violência. Na Síria actual (país onde foi tirada a foto) a esperança ou é engano ou é loucura. Sobrevive-se mas sempre com cuidado, sempre a espreitar-se para todos os lados, sempre a vigiar-se o fio da vida. Hudea mesmo com apenas 4 anos, já sabe isso. Ja sabe que existem os maus com umas armas grandes que fazem mal, já sabe o que é viver ou pelo menos tentar viver a fugir desses maus e no  meio de uma violência indescritível que já custou a vida a muitas crianças como ela. Em vez de viver num ambiente feliz e saudável para o seu desenvolvimento, vive num pesadelo que já a fez passar por experiências traumáticas que até fizeram-na pensar que a teleobjectiva de uma maquina fotográfica era o cano de uma arma. Hudea representa simbolicamente o trauma de todas as crianças em todas as guerras e neste caso em particular do conflito na Síria. Se nao houvesse mais nenhuma razão, ha ao menos esta de ver tantos futuros prematuramente terminados porque os adultos acabam por ser mais infantis do que as próprias crianças. E a Síria é um triste exemplo disso. Afinal é preciso nao esquecer que tudo começou quando o povo saiu à rua em protesto pela morte de crianças que tinham escrito palavras contra o presidente numa parede, por parte das forças de segurança.
       

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