Numa idade de sonhar vi a realidade da queda do muro!

Eu junto a um pedaço do muro de Berlim instalado em Bruxelas. BrunoⒸ2012

     

          Tinha eu treze anos na altura. Treze anos é idade de sonhar e sonhar foi de certeza o exercício de muita gente nesse ano magico de 1989. Ano que era a sequência de um processo iniciado alguns anos mais cedo e que iria levar a um final nao previsto por muita gente incluindo o seu próprio responsável. E naquele dia 9 de Novembro de 1989 a queda do muro de Berlim ficaria como o símbolo máximo desse final ao qual Fukuyama chamou o fim da historia. Data para sempre simbólica e por coincidência próxima de outra data feliz, o final da I guerra mundial no 11 de novembro de 1918. Eu tinha treze anos mas lembro-me de acompanhar todas as noticias que via sobre as revoluções no bloco de leste e o fim da guerra fria e ainda a infelizmente falhada revolução de Tiannamen. Sabia que estava a assistir algo único, que estava a ser testemunha da historia graças à televisão que de facto aproximava o mundo. Aquilo era o fim de uma era, o fim de uma utopia irrealista que acabara por ser uma ditadura onde ironicamente a divisão em classes estava mais do que presente. Penso que em toda a minha ainda curta vida o único acontecimento que vi com uma influência perene na historia foi os atentados do 11 de setembro de 2001. Acontecimento que veio de certa forma criar uma nova versão da historia mundial, voltando ao belicismo depois de um período de apaziguamento e paz. Mas voltando a 1989, passados 25 anos da queda do muro, o mundo mudou. Teria mudado na mesma, mesmo que o muro nao tivesse caído mas teria ficado, no essencial, igual com a antagónica divisão do mundo em dois blocos. Mas felizmente mudou e o fim da guerra fria trouxe o fim de vários conflitos regionais no mundo como por exemplo a guerra em Angola, trouxe o fim do apartheid na Africa do Sul ou ainda um dos melhores períodos do processo de paz israelo-palestiniano com Arafat e Rabin. Parecia que o mundo ia entrar no caminho certo mas isso é esquecer a pior parte da natureza humana. A parte que incentiva ao conflito, ao extremismo e o mundo actual em alguns aspectos parece pior do que em 1989. A arrogância norte-americana que depois do fim da URSS achou-se como única superpotência no mundo e por conseguinte incapaz de ser derrotada, o renascimento do nacionalismo militar do tempo da URSS aliado a um fascismo que substitui o comunismo na Russia, o advento do terrorismo religioso islâmico de caracter extremista e completamente diferente do terrorismo político árabe do passado e o aparecimento da China e dos novos países industrializados como o Brasil ou a Índia como países a ter em conta num xadrez internacional cada vez mais complexo sao alguns exemplos de um mundo que encontrou a liberdade em 1989 mas que enfrenta agora problemas mais complexos. E isto sem falar nos problemas ambientais que alguns teimam em nao reconhecer como uma urgência.
       Mas entretanto e porque a data é de festa vou continuar a sonhar e esperar que essa festa se prolongue com a queda de outros muros que continuam erguidos para impedir a paz, a harmonia e a união. E tenho a certeza de que quando isso acontecer serei mais uma vez testemunha televisiva!

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