Da comparação entre o nazismo e o fascismo religioso e da falta de resposta muçulmana ao radicalismo do EI.

       Para quem estudou historia a sério e nao revisionistas e outros inventores que teimam em baralhar os factos, sabe que o regime nazi foi a linha máxima do fascismo levado a um extremo de violência e intolerância perante o próximo. Nem antes nem depois houve um regime regido pela morte e pelo ódio duma forma tao ironicamente organizada como se a morte fosse o produto final de uma linha de montagem. No entanto e apesar da crueldade metódica estadual, o nazismo ainda possibilitava uma muito ténue esperança de salvação na escravatura. Nao uma possibilidade premeditada, é certo, porque muitos morriam sob horas extenuantes de trabalho forçado mas mesmo assim a única hipótese de escapar às câmaras de gás ou aos pelotões de fuzilamento. Por ser um regime apologista da violência, nao se podia esperar o humanismo na sua doutrina e por isso aqueles que escapavam à morte imediata e podiam assim acreditar num milagre, de certeza que se regozijavam por isso. Entretanto, o Estado nazi acabou derrotado por uma coligação de aliados que apesar de ideologias diferentes em alguns casos uniram-se para enfrentarem o inimigo comum. 
     O tempo passou e felizmente nunca mais voltou a existir um regime político com um tao alto grau de violência, apesar de a violência fazer parte de vários regimes desde essa altura até à actualidade. Mas o fascismo nao é so uma forma de poder político mas também uma doutrina. E é essa doutrina que encontramos agora no denominado “Estado Islâmico”, com a diferença de neste caso ser de influência religiosa. Se antes era a suposta superioridade da raça ariana, o fundamento do regime nazi, agora é a superioridade ilusória do islamismo que justifica a violência do grupo que quer fundar um califado. Em ambos os casos, a nao aceitação da diferença, a guerra como meio único de fazer passar a palavra e um completo desprezo pela vida humana. A diferença é que com o EI (Estado Islâmico) chegou-se ao ponto mais alto do terror. Se nao te convertes, entao tens de morrer! Agora já  nao ha salvação possível. Nem sequer a hipótese da escravatura. O EI nao aceita o mais pequeno desvio da sua lei, tal como o nazismo, e por causa disso já muita gente pagou com a vida, o direito à mudança. Ele so existe como espaço físico de origem das atrocidades cometidas pelos seus membros e como forma de espalhar o terror, naquilo que os extremistas chamam de guerra santa. Ao totalitarismo político, segue agora o totalitarismo religioso e ambos seguem uma cegueira ideológica onde nao ha possibilidade de compromisso com o mundo exterior. O fim, justifica os meios, mesmo os mais terríveis. E por isso, também a ameaça de ambos, justifica a urgência em acabar com eles. Se a Europa e os seus aliados conseguiram-no em relação aos nazis, agora, o mesmo devia ser feito pelos países árabes e os seus aliados. De facto, nao deviam ser os EUA e seus aliados a tomar a iniciativa mas sim os países da região. Pelo menos, aqueles que tivesse mais possibilidade de o fazer, já que sao eles os mais ameaçados pelo perigo radical. E por isso nao se compreende certas atitudes e uma passividade muçulmana a propósito dos maiores inimigos desta religião. Atitudes como a de um ministro libanês que quer que uns jovens sejam julgados pela justiça por terem queimado a bandeira do EI, o que para ele constitui um sacrilégio por nela estar contida a profissão de fé do Islão. Ora, vamos ser sinceros e chamar as coisas pelos nomes, a bandeira representa um movimento terrorista e se esse ministro libanês é contra a sua destruição entao é porque considera a sua religião, uma religião terrorista. Esta atitude inconsequente que defende o indefensável so por causa de umas palavras também pode ser encontrada numa espécie de auto-censura imposta pelos próprios muçulmanos que parecem preferir a continuidade de uma imagem que so prejudica a sua fé e ao mesmo tempo de uma ameaça bem real para a região e para o mundo. Talvez dois factores justifiquem esta atitude. O primeiro tem a ver com o espaço geográfico. Os muçulmanos que vivem na zona do EI e países circundantes poderão ter receio de represálias o que é aceitável como justificação para se manterem calados. Mas isso nao justifica o silêncio de tantas comunidades muçulmanas no mundo. Verdade é que alguns lideres religiosos ja se puseram contra o EI mas onde estão as manifestações de rua para exigir o fim desse terror? Nao se vê e creio que isso se explica pelo segundo factor, a saber a influência da religião no poder e na sociedade. Ja tenho dito varias vezes que religião e política nao devem estar misturadas e enquanto isso continuar continuaremos a ver atitudes como a do ministro libanês, para quem uma bandeira radical manchada de sangue merece respeito. Ora esta visão teocentrica so traz prejuízo e enquanto houver políticos assim, enquanto houver Imas que ensinam o radicalismo, enquanto houver jovens que se deixem influenciar por uma visão enganadora e paradisíaca do extremismo religioso e enquanto houver esta negação da verdade por causa da religião, grupos como o EI continuarão a existir e a espalhar o terror! Incompreensível como a fé pode ser realmente cega!
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