Adolfo Suarez: pai da democracia espanhola. (1932-2014)

         
       A capa da revista TIME (penso que é de  1978 ou 1979) mostra bem o que Adolfo Suarez representou e representa para a Espanha. De facto, com ele a democracia ganhou e a transição do regime franquista para um sistema democrático, foi mais rápida do que se esperava e menos violenta do que se receava. Nao sou do tempo de Suarez como chefe de governo, (o primeiro político espanhol de que me lembro a ocupar esse lugar foi o seu rival Felipe Gonzalez) e por isso o que sei dele, sei através dos registos históricos que fui vendo quer em video quer em textos ou fotos. A primeira impressão que eu tive foi de que teria tido um papel menor na política espanhola, decorrente do pouco tempo em que esteve à frente do governo. Nao podia estar mais enganado. Nos 5 anos em que chefiou o primeiro governo democrático de Espanha, após Franco, foi fundamental para a chegada a bom porto do período de mudança na vida espanhola. A sua escolha pelo rei Juan Carlos I, gerou desconfiança pois que ele tinha sido um político do regime franquista com postos ministeriais além de director da TVE (Televisao publica de Espanha). Mas a escolha revelou-se mais do que acertada. Num processo difícil de conciliação e com muita paciência conseguiu unir varias facções partidárias em torno do projecto da democracia, evitando assim uma passagem fracassada que poderia ter dado origem a uma guerra. Com esta vitória, conseguiu reformas  como a amnistia dos presos políticos, o fim das estruturas franquistas, as primeiras eleições livres, a aprovação pelas Cortes da Constituição Espanhola de 1978 e a legalização do Partido Comunista Espanhol. Este acto foi uma prova da sua coragem política e da sua capacidade de analise. Coragem porque foi contra “os duros” do antigo regime franquista, ao qual ele pertenceu e capacidade de analise porque compreendeu que a democracia em Espanha nao seria possível sem a participação de todas as forças políticas, incluindo aquela que foi a maior adversaria de Franco. Mas outro sinal de coragem bem conhecido foi aquando da tentativa do golpe de Estado 23-F (23 de Fevereiro de 1981). Quando o tenente-coronel Tejero Molina ordenou para que os deputados se abaixassem todos e tiros foram disparados para o ar em tom de ameaça, apenas três pessoas recusaram-se a obedecer: o ministro da defesa, o secretario-geral do PCE Santiago Carrillo e ele mesmo. Estas características, além de um grande sentido de responsabilidade e uma forte auto-confiança, fizeram dele um dos políticos mais importantes de Espanha e da Europa, tendo pertencido a um conjunto de lideres, que independentemente das suas ideologias, tiveram um papel preponderante na construção europeia, sem medo de fracassos ou de retaliações e com mais atitude para a acção do que para a demagogia. 
      Depois de sair da chefia do governo, ainda esteve na política activa até 1991. Em 2004 foi-lhe diagnosticada a doença de Alzheimer e nos últimos anos já nao reconhecia ninguém e nem sequer se lembrava que tinha sido o primeiro chefe de governo  depois da queda do regime ditatorial de Franco. A Espanha, perdeu ontem uma das suas grandes referências e um símbolo da democracia e portanto a capa da revista “TIME” é de facto e como já tinha dito no inicio, uma boa imagem daquilo que ele foi.
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