Uli Hoeness e a falta de dignidade em Portugal.

     Uli Hoeness, uma das maiores glorias do futebol alemão e principalmente do Bayern de Munique, foi condenado por fraude fiscal a uma pena de prisão efectiva de três anos. Por mais incrível que pareça, nao recorreu da pena e demitiu-se da presidência do Bayern. Como seria de esperar, houve logo muita gente que comparou (e bem) esta historia com o que se passa no futebol português. De facto esta atitude de Hoeness pode ser vista como exemplo e mesmo como uma machadada dada no triste panorama do nosso futebol sempre invadido por historias de corrupção, de suspeitas e de compadrios. Mas também pode ser usada como um exemplo para a sociedade portuguesa em geral, principalmente certos sectores onde a dignidade e a verdade sao muito maleáveis ou por vezes inexistentes. Refiro-me, como já muitos devem ter adivinhado, à política e à justiça. Ao contrario do que muita gente pode pensar, a corrupção em Portugal nao é tao alta como se pensa mas também nao tenho conhecimento de nenhuma historia deste género protagonizada por um político ou dirigente de qualquer outro sector em Portugal. O que vejo, e tenho a certeza que é aquilo que a maioria vê, sao esquemas para escapar à justiça, sao pessoas suspeitas de actos passíveis de condenação mas que nem vao a julgamento, sao negociatas e jogos de bastidores em ligações protectoras entre pessoas em lugares importantes, sao julgamentos que duram mais tempo do que o previsto e nao dao em nada porque os casos acabam por prescrever (e que tao cómoda é esta historia da prescrição) e portanto sao em geral a demonstração da falta de seriedade que muitas vezes paira no seio das classes dirigentes do nosso país. 
    Como já escrevi muitas vezes antes, um dos maiores problemas da nossa sociedade é a nossa mentalidade, ou melhor dizendo, aquela mentalidade baseada no engano, na mentira, na procura de seguir o mau exemplo. E esta historia de Hoeness mostra mais um exemplo da diferença de mentalidade entre a sociedade alemã e a portuguesa. Enquanto houver pessoas que continuam a utilizar o seu poder para angariar favores, enquanto houver pessoas que procurem seguir as primeiras so porque “se os grandes o fazem, nos também temos direito”, enquanto houver uma justiça que continue bastante lenta e so sirva os interesses dos mais poderosos e enquanto houver uma teia de relações no alto mundo onde impera a sujidade e a falta de dignidade, entao nao haverá austeridade que nos valha.
     Como nota final, importa referir que nao estou a chamar à sociedade portuguesa em geral, mentirosa e corrupta, como já devem ter percebido. Mas que é preciso uma grande revolução na forma de pensar e de actuar sobre certos temas e em certos sectores, la isso é!

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