Panteão Nacional: Quantos sao e quem também deveria la estar.

 

         A propósito das noticias sobre a possível transferência de Eusébio para o Panteão Nacional, decidi escrever este artigo onde apresento minha opinião sobre o caso em questão além de certas considerações sobre o Panteão Nacional e equivalentes.

        – Eusébio merece ir para o Panteão Nacional?

           Apesar do brilhantismo de Eusébio como desportista e pessoa, creio que nao devem ir desportistas para o Panteão. Este é um edifício onde estão enterradas pessoas de incalculável valor histórico e cultural. Pode-se discutir a presença ou a ausência de certas pessoas mas todas elas foram figuras históricas preponderantes para o país. Eusébio nunca vai ficar na Historia de Portugal mas a sua popularidade permitiu algo que os fundadores do Panteão, por certo nao imaginariam. No fundo a sua entrada nesse edifico é o resultado duma pressa condicionada pelo factor emocional da sua morte recente. A transladação para o Panteão deve ser decidida a frio, sem condicionalismos que possam influenciar a opinião publica e por consequência a classe política. Nao deixa de ser estranho que por exemplo Humberto Delgado teve de esperar muito mais tempo para ser transladado. E no entanto o seu papel foi muito mais importante do que o do Eusébio. Como parte integrante da historia do futebol português e do Benfica, seria mais correcto que tivesse o seu lugar de descanso eterno num lugar ligado ao desporto ou ao clube do seu coração.

       – Panteão ou Panteões?

          Talvez muita gente nao saiba mas existem dois monumentos em Portugal com o estatuto de Panteão Nacional. Além da Igreja de Santa Engracia em Lisboa e que é o mais conhecido, também o mosteiro de Santa Cruz de Coimbra tem o mesmo papel por estarem la sepultados os dois primeiros reis de Portugal. A Igreja de Santa Engracia é Panteão desde 1916 enquanto que o mosteiro de Coimbra tem esse estatuto desde 2003. Permitam-me aqui uma opiniao pessoal de discordância quanto a esse estatuto. Em primeiro lugar nao compreendo porque é que apenas o mosteiro de Santa cruz é um Panteão por causa de ter reis la sepultados quando ha outros monumentos que também albergam sepulturas reais e nem por isso sao Panteões como por exemplo o mosteiro da Batalha. Em segundo lugar o estatuto de Panteão Nacional seria muito mais merecido para o mosteiro dos Jeronimos onde estão enterrados grandes vultos da historia portuguesa como Camões ou Pessoa. Tinha alias esse estatuto até 1916. Mas enfim, ao que parece perdeu-o sabe-se la porquê.
       

Igreja de Santa Engracia (Lisboa)
Mosteiro dos Jeronimos (Lisboa)

Mosteiro de Santa Cruz (Coimbra)
         – Pessoas que deviam ter direito a serem sepultadas no Panteão Nacional mas nao estão:
           
            Esta lista é mais uma vez decorrente de uma minha opinião:  
            – José Saramago (escritor, prémio Nobel da literatura)
            – Egas Moniz (cientista, prémio Nobel da medicina e fisiologia)
            – Carlos Paredes (guitarrista, mestre da guitarra portuguesa)
            – Aristides de Sousa Mendes (cônsul, salvou milhares de pessoas na II Guerra Mundial)
            – José Afonso (cantor e poeta de intervenção)
            – Luisa Todi (cantora lírica)
            – Guilhermina Suggia (violoncelista)
            – Pedro Nunes (matemático)
            – Ribeiro Sanches (matemático e enciclopedista) 
            – Francisco Sanches (médico, filosofo e matemático)
            – Padre Antonio Vieira
            – Salgueiro Maia (militar, capitão do 25 de Abril, responsável pela rendição de Marcelo Caetano no Quartel do Carmo)
          Tal como todas as listas, esta também nao vai ser consensual e porventura faltarão aqui nomes mas estas sao escolhas que para mim têm o seu lugar merecido no Panteão, mesmo que la nao estejam.
          

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One thought on “Panteão Nacional: Quantos sao e quem também deveria la estar.

  1. Você tem razão no facto de haver vários panteões em Portugal – lá pelo facto da lei dizer isto e aquilo tem pouco significado. É claro que a Batalha e os Jerónimos, entre outros, também são panteões.

    Deixemos Santa Engrácia como Panteão Nacional para os tempos de hoje.

    De resto, trasladar indivíduos de outros lados seria uma estupidez. D. Manuel pertence aos Jerónimos tal como D. Pedro pertence a Alcobaça. Cada qual no seu sítio certo. Quanto muito nestes casos, o Panteão Nacional deve ter apenas cenotáfios, como no caso do Infante D. Henrique, que está muito bem “no seu” panteão histórico, aliás mandado construir com esse propósito no século XV.

    E sim, concordo, Eusébio merecer o Panteão de Santa Engrácia.

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