Fawzia Koffi – De abandonada a activista pelos direitos das mulheres.

  
    Vi esta semana uma noticia sobre a primeira mulher candidata às eleições presidenciais no Afeganistão em 2014. Num país dominado pelos homens (alias ainda nem se sabe se esta candidatura sera aprovada), esta noticia é mais uma prova de coragem de Fawzia Koffi, numa vida cheia de desafios. Alias começou logo pelo seu inicio. Nasceu numa família poligamica de sete mulheres. O seu pai que era membro do parlamento casou com uma mulher mais nova e a sua mae desejou ter um menino para voltar a ganhar o afecto do marido. No dia em que Koffi nasceu foi abandonada na rua para morrer ao sol. Acabou por ser recuperada pela sua mae que teve pena dela. Convenceu os pais a mandarem-na para a escola, fazendo assim com que fosse a única rapariga a entrar no ensino. Graduou-se pela Universidade Preston com um mestrado em Negócios e Recursos Humanos. O seu pai foi um membro do parlamento durante 25 anos mas morreu no fim da primeira guerra afega, morto pelos Mujahideens.
     Koffi começou a sua carreira política em 2001, depois da queda dos talibans com a campanha “Regresso à escola” para promover a educação das raparigas. Nas eleições parlamentares de 2005, foi eleita para o Wolesi Jirga, a câmara baixa, da  Assembleia Nacional Afega e tornou-se sua vice-presidente. Tornou-se a primeira mulher a ser porta-voz do parlamento e foi reeleita em 2010. Ja sobreviveu a varias tentativas de assassinato. Actualmente é candidata às eleições presidenciais de 2014 numa plataforma que defende iguais direitos para as mulheres, promovendo educação universal e luta contra a corrupção. 
      A sua vida tem-se pautado pela prioridade na defesa dos direitos das mulheres e por causa disso ja tomou varias iniciativas. Assim conseguiu que as condições de vida da mulheres afegas na prisão fossem melhoradas, que fosse estabelecida uma comissão para combater o aumento da violência contra as crianças e ainda a aprovação de uma amenda à lei do estatuto pessoal Shia. Em 2009 foi eleita como jovem líder mundial pelo Fórum Económico Mundial. 
    Koffi foi casada com um homem chamado Hamid que era engenheiro e professor de química. O casamento foi arranjado pelos pais de Koffi que apesar disso nao se queixou. Dez dias depois do casamento, os talibans prenderam o marido e ele contraiu tuberculose na prisão. Por causa disso, morreu em 2003, pouco depois de libertado. 
Sua pagina oficial (em inglês): http://www.fawziakoofi.org/
     
Anúncios

4 thoughts on “Fawzia Koffi – De abandonada a activista pelos direitos das mulheres.

  1. Oi, Bruno!
    Admiro demais estas mulheres substanciosas… nasci numa comunidade rural, onde imperava a submissão feminina.
    Mulheres se sentavam na outra parte da igreja, não dirigiam, não trabalhavam fora, não estudavam na cidade, não podiam tomar pílulas anticoncepcionais – tudo de melhor era delegado ao homem, e a mudança foi tão rápida! Por que não lá também?
    Sucesso para ela e um abraço a ti.

    Gostar

  2. Ola

    Isso é uma pergunta que eu proprio faço muitas vezes a mim mesmo. Na Europa ainda no inicio do seculo XX as mulheres nao tinham quase direitos nenhuns e em 100 anos a mudança foi radical. Pra mim a resposta esta na influência das religioes. Ja reparou que é nos paises mais conservadores onde as mulheres têm menos direitos?
    Um abraço também pra si.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s