Hinos de Portugal.

           Um hino é um dos símbolos que representa um país. Por vezes tem um estilo militar, agressivo, noutras vezes é mais calmo, pode-se mesmo dizer mais pacifista. Muitos deles foram feitos em épocas conturbadas e tinham como objectivo chamar o povo à defesa da sua nação em tempo de guerra ou de conflitos políticos e sociais. Por isso também serem conhecidos como cantos patrióticos. Hoje em dia um hino é principalmente um factor de união e de orgulho como se pode ver por exemplo no desporto. Nao sendo algo sagrado e imutável é no entanto imprescindível e importante na  sua função de aproximar as pessoas do país a que pertencem. O hino oficial português chama-se “A Portuguesa” mas antes houve outros hinos. O primeiro chamava-se “Adeste Fideles” e pensa-se ter sido composto pelo rei D. João IV, sendo também conhecido como o “hino português”, nome dado pelos ingleses. Importa dizer no entanto que apesar de ser assim chamado, nao é um hino como hoje entendemos como tal, visto que à época nao existiam hinos oficiais.   Dois manuscritos foram encontrados no palácio de Vila Viçosa em 1640. A versão mais conhecida, no entanto é a do inglês John F. Wade que data de 1743. Hoje em dia é uma das mais populares canções de natal. Nao tendo encontrado um video com musica do original, deixo a versao de Wade que presumo nao ser muito diferente da do rei D. Joao IV.


     Se “Adeste Fideles” foi uma espécie de hino português nao oficial, o primeiro a ser reconhecido como tal foi o “hino patriótico” composto em 1808 por Marcos Portugal e dedicado ao príncipe regente D. João VI. A letra sofreu varias mudanças e a primeira estrofe, já depois da subida de D. João VI ao trono é a seguinte:

Eis, oh Rei Excelso
Os votos sagrados
Q’os Lusos honrados
Vêm livres, vêm livres fazer
Vêm livres fazer

Por vos, pela Pátria
O sangue daremos
Por gloria so temos
Vencer ou morrer
Vencer ou morrer
Ou morrer
Ou morrer


       O “hino patriótico” seria substituído a partir de Maio de 1834 pelo “hino da carta” como hino oficial de Portugal. Este tinha letra do rei D. Pedro IV e era uma homenagem à carta constitucional outorgada pelo próprio aos portugueses. Tinha como versos, os seguintes:

Ó Pátria, Ó Rei, Ó Povo,
Ama a tua Religião
Observa e guarda sempre
Divinal Constituição

(Coro)
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Religião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição

Ó com quanto desafogo
Na comum agitação
Dá vigor às almas todas
Divinal Constituição

(Coro)
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Religião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição

Venturosos nós seremos
Em perfeita união
Tendo sempre em vista todos
Divinal Constituição

(Coro)
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Religião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição

A verdade não se ofusca
O Rei não se engana, não,
Proclamemos Portugueses
Divinal Constituição

(Coro)
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Religião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição

    O “hino da carta” durou até à implantação da republica em outubro de 1910. Foi entao substituída pela “Portuguesa” composta alguns anos antes. De facto a musica tinha sido composta em 1890, como uma reacção de descontentamento ao ultimato britânico para que as tropas portuguesas abandonassem a pretensão de unir Angola a Moçambique no chamado “Mapa cor-de-rosa.” Tinha letra de Henrique Lopes de Mendonça e musica de Alfredo Keil, sendo depressa usada como um canto patriótico e adoptada oficialmente como hino nacional pela Assembleia Nacional Constituinte a 19 de junho de 1911. No entanto a versão que hoje conhecemos so seria oficializada em Conselho de Ministros a 16 de julho de 1957, visto que até ai existiam varias versões na melodia e na instrumentação. Na letra também sofreu modificaçoes,  sendo que a actual é a seguinte:

I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os canhões
marchar, marchar!

II
Desfralda a invicta bandeira
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d’amor,
E o teu braço vencedor
Deu novos mundos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra e sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os canhões
marchar, marchar!

III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra e sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os canhõesmarchar, marchar!








         

      
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