Eis a nova Venezuela dividida!

     

      Decorreu este fim-de-semana passado, a eleição na Venezuela para a escolha do novo presidente da republica. O resultado foi tao renhido que o candidato derrotado pediu de imediato a recontagem dos votos, o que o candidato vencedor disse aceitar. Ora deste resultado, tiro duas conclusões, a saber: a primeira é que fiquei surpreendido por esta escassa margem na vitoria de Nicolas Maduro, pois que esperava uma vitoria com uma maior diferença nos números. A segunda é que afinal, o povo venezuelano nao anda tao distraído assim e nao se deixa levar tao facilmente por promessas populistas baseadas em falsos alicerces. Analisando objectivamente esta eleição, é muito difícil nao concluir que houve fraude ou pelo menos certas jogadas fora do contexto legal. Como escrevi anteriormente, pensava que Maduro iria ter uma vitoria folgada e sem problemas. E porquê? Ha vários indícios para chegar até aqui. Em primeiro lugar, o aproveitamento abusivo e descarado da morte de Hugo Chavez. Maduro deve-se ter cansado de tanto falar do comandante para ganhar votos. Sendo a figura daquele extremamente popular nas classes baixa e média-baixa, Maduro nao teve nenhum constrangimento em gastar o seu nome com o claro intuito de ganhar uns votos. Depois, sabendo que a maior parte da população venezuelana pobre, tem baixo nível cultural e é muito influenciada pelo espiritismo, nao teve problema nenhum em evocar uma maldição ancestral a quem nao votasse nele (ver aqui). Mas o falseamento da democracia nao fica por aqui. Porque o encerramento das fronteiras, precisamente no fim-de-semana de votos? E como é possível que tenham justificado esta decisão com uma explicação simplista de ameaça de desestibilizaçao e uma possível tentativa de assassinato por parte dos EUA contra Maduro? Para mim parece-me obvio que foi mais uma jogada para impedir que a oposição tivesse um resultado mais elevado do que aquele que teve, e so demonstra até que ponto foram as autoridades chavistas para segurarem a sua vitoria (ver aqui). E ainda outro exemplo de como houve uma influência nociva na eleição foi o facto de a cara de Nicolas Maduro aparecer 14 vezes no boletim de voto. Qual foi a justificação? O facto de ele ser o líder de uma coligação de 14 partidos! O facto de isto ser verdade valida que a sua cara aparecesse assim tantas vezes? Claro que nao e so mostra, uma vez mais, a sua vontade em vencer, a todo o custo (ver aqui). Com todos estes antecedentes, e isto é apenas uma pequena parte, nao se compreende a decisão da Comissão Eleitoral Venezuelana em validar o resultado sem haver uma recontagem dos votos. Mais pareceu um jogo de futebol, onde é evidente a parcialidade do arbitro para um dos lados. Também por isto tudo, é difícil compreender como é que se pode chamar democracia ao que se passa na Venezuela. Até pode ser que Nicolas Maduro tenha mesmo ganho a eleição, mas quando um resultado eleitoral é baseado em tantas manobras pouco correctas e quando as pessoas vao votar alimentadas por promessas exageradas e sem um claro juízo de valores, sera que isto pode-se considerar uma democracia? Isto é, se um candidato, seja onde for, aproveitar-se da pobreza e ignorância das gentes, vai ter em principio, mais facilidade em obter um melhor resultado. E isto nao me parece que seja democracia naquilo que ela tem como uma das suas principais características e que é a isenção.
       Ainda por cima, o populismo chavista esta a falhar a todos os níveis. Afinal a insegurança tem aumentado e a pobreza também. Talvez por isso, o resultado tenha sido tao renhido. Os venezuelanos estão a acordar e a ver o embuste em que caíram. Infelizmente, Maduro, também ja reparou que afinal o  seu regime nao esta tao seguro assim e ja começa a nao conseguir disfarçar os seus tiques de autoritarismo como por exemplo o ter proibido uma manifestação da oposição (ver aqui). Mais um belo exemplo de democracia! Deste autoritarismo, a Venezuela pode sair prejudicada em dois factores: o primeiro é que a suposta democracia de Maduro pode resvalar para uma ditadura de esquerda (que para mim, é sempre uma ditadura e portanto tao ma como uma de direita) e o segundo é uma partição violenta do país, o que alias já se começa a fazer sentir. Portanto o futuro da Venezuela começa a ser de mau agoiro. Alias, os países que passaram por regimes populistas, sejam de esquerda ou de direita, caíram sempre no desastre económico e social, precisamente porque o populismo nao tem uma base solida de desenvolvimento mas vive das promessas do imediato. Ora, se as coisas nao mudam de imediato, parece-me que a Venezuela também vai passar pelo mesmo e aquilo que hoje parece ser o despertar para uma nova esperança vai-se tornar numa enorme desilusão. Embora, é claro, que eu pessoalmente nao deseje tal coisa ao povo venezuelano. Mas infelizmente, todos os indícios levam a concluir que aproximam-se tempos difíceis para este povo.

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