Sobre o pesadelo do populismo político.

     A propósito da morte de Hugo Chavez gostaria de tecer algumas considerações sobre algo em que ele foi um campeao: o populismo político. Trata-se de um autêntico fenómeno de massas tanto mais estranho na sua atracção quanto infundadas sao as razoes para tal. Um líder populista é quase como um líder das seitas religiosas: prometem o paraíso, sem que no fim nada se veja. Mas como nasce tal figura carismática e que até por vezes se torna um ícone? Em primeiro lugar começa logo por ai. Sem carisma é difícil ir longe, mesmo sendo um bom político. Quase todos têm ou tiveram aquela áurea que faz as pessoas confiarem a acreditarem neles. Depois importa dizer que o populismo nao tem ideologia e tanto pode ser de esquerda como de direita. A seguir é necessário que o pais esteja numa grave crise económica e social o que faz com que o populista apareça como um herói salvador que vai resolver os problemas de todos. Assim Hitler deve muito do seu poder à crise económica dos anos trinta e ao fascínio que exercia nas pessoas. Lenine arrastou multidões atras dele porque prometia acabar com a miséria do povo contra a opulência do Czar e nobreza. Depois é preciso arranjar um “bode expiatório” que faça desviar todos os erros e canaliza-los noutros (falsos) culpados. Assim para Hitler a causa dos problemas na Alemanha eram os judeus, comunistas e outros; já para Hugo Chavez todo o mal tinha origem no “imperialismo americano”. Outra coisa importante é prometer o mais possível e quanto mais espectacular melhor. Que o diga Berlusconi que prometia por exemplo devolver o imposto sobre o imobiliário ( à volta de quatro mil milhões de euros) cobrado no tempo de Mario Monti, se ganhasse estas ultimas eleições. Também importante é arranjar inimigos por todo o lado. E quem sao eles? Quase sempre a justiça quando vai contra os interesses do visado e os ideologicamente opostos. Quando as coisas nao correm bem para Berlusconi nos tribunais, este acusa os juízes de corruptos e outras coisas mais.  Ora isto entra em relação com outro factor. O populista so aceita a democracia enquanto puder tirar proveito dela. Quando numa eleição alguém ganha com intimidação ou outros métodos de persuasão nao legais, é difícil falar-se em eleições democráticas.
       E no fundo, o que é que conseguem com todos estes esquemas para se manterem no poder? Algumas coisas positivas é certo como a alfabetização na Venezuela e outros países de esquerda ou as primeiras auto-estradas na Alemanha nazi. Mas sao vitorias muito pequenas para heranças dramáticas. A Itália enfrenta actualmente uma grave crise, fruto das políticas irresponsaveis de Berlusconi. A Alemanha pós-Hitler estava completamente destruída e a Venezuela de Chavez caminha para o mesmo destino da Itália.
      O populista faz sonhar, faz acreditar, arrasta multidões, é considerado como uma espécie de messias mas no final acaba por prejudicar mais o pais do que fazer bem. Infelizmente a pobreza, a ignorância e o extremismo ideológico sao um bom apanágio para o seu aparecimento.

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