Pede-se uma mudança profunda!

     

     

      Como nao sou popular, nem populista e nao tenho por habito escrever para agradar, mas sim aquilo que eu realmente penso, nao tenho receio de por vezes ir contra, ou pelo menos quase contra, a “onda geral”. Digo quase contra, porque se eu pudesse iria à manifestação de ontem em Lisboa. De facto, nao estou totalmente contra e como já disse muitas vezes, compreendo e sou solidário com a maioria das razoes que têm levado aos protestos por todo o país. Mas o caminho que se esta a trilhar parece-me ter muitas falhas. Falhas pouco notadas escondidas num manto de raiva misturada com utopia. A raiva contra um poder político que teima em nao olhar para o país e a utopia de acreditar nos “amanhas que cantam” quando a realidade nao é e nunca foi fácil de resolver.
      A enorme manifestação de ontem foi um motivo de orgulho e ao mesmo tempo de apreensão para mim. Orgulho em ver o povo português acordado, em ver que, quando querem, as pessoas podem fazer ressuscitar, aquelas imagens que pareciam perdidas dos grandes protestos do pós-25 abril. Apreensão porque o que eu vi ontem foi uma tentativa de aproveitar o descontentamento geral por parte da esquerda, foi, reivindicações validas mas outras simplistas ou sem sentido, foi uma demonstração de coragem do nosso povo mas também de uma certa submissão aos interesses ideológico-partidários de oposição ao governo, mesmo que muita gente nao se tenha apercebido ou tenha querido admitir.
    O facto é que o povo vai atras de quem promete mudança e isso tem sido a realidade ao longo da historia, mas principalmente desde o fim do 2° governo de Cavaco Silva. E o que temos tido desde essa altura até agora? Partidos que sobem ao poder, mais por aproveitamento dos erros dos governos anteriores do que propriamente por qualidades próprias. Numa alternacia esquerda-direita (PS-PSD/PP) os governos têm-se sucedido com promessas de corrigir os erros do passado e de levar Portugal no caminho do progresso; mas a verdade é que os erros continuam e com tanta acumulação de erros graves  chegamos à crise actual. Quase se pode dizer que vivemos numa situação de “vira o disco e toca o mesmo” e agora o disco prepara-se para ser virado de novo e tocar de novo a mesma musica. Nao é a musica das ideologias que essas mudam conforme o lado político mas a musica do egoísmo, da corrupção, da burocracia, do desinteresse, do “chico-espertismo”, que invade nao so a classe política mas também a classe financeira e empresarial e ainda em alguns casos as classes desfavorecidas. Sei que haverá gente que nao vai concordar com esta ultima parte mas um dos factores para Portugal estar como esta é recusar-mo-nos a olhar para nos próprios e reconhecer os nossos erros. os políticos, empresários e financeiros sao os grandes responsáveis porque deles depende a condução política e económica do pais mas a população de um pais nao é so formada por estes mas também por todo o povo que tem direitos e deveres. A corrupção por exemplo nao é um problema político mas um problema social. Ela nao existe so no meio político mas também na sociedade em geral e por isso é difícil acabar com ela. E esse é o principal problema. Que o povo proteste contra este abuso de austeridade é aceitável e compreensível mas é pena que a maioria so peça a mudança de governo, como se isso resolvesse todos os problemas, é pena que o povo vá atras , guiado mais por discursos populistas em vez de fazer uma introspecção, é pena que tenha sido preciso uma crise desta envergadura para que ele acordasse, quando nos últimos 30 anos, houve tantos motivos para se sair à rua. Penso que estamos a perder uma oportunidade de mudar as coisas como deve ser. Receio que daqui a alguns anos, vao voltar ao que sao hoje porque o povo esta a lutar por uma mudança superficial, nao por uma mudança profunda. E isso acontece porque temos muitas vezes aquela presunção de que o mal esta nos outros. Porque é que nos países do norte da Europa nao ha crise e os países mais atingidos por esta sao os do sul? Porque ha uma visão e uma mentalidade tao diferentes entre o norte e o sul que qualquer problema nao pode ser resolvido com um simples retoque nas aparências. Estou a ser repetitivo, eu sei, mas nao consigo deixar de pensar que podemos tirar algo positivo desta crise. Mas a mudança de mentalidade nao se faz de um dia para o outro e é uma longa caminhada que por vezes é esquecida. Felizmente, agora os políticos sabem que o povo nao anda a dormir!

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