Falsa sensação de poupança!

135 mil filhos desapareceram das declarações de IRS em apenas dois anos – Dinheiro Vivo

      Portugal é o meu pais e eu tenho muito orgulho nele mas isso nao me impede de por vezes ser critico sobre coisas que vejo e nao gosto. Penso que esconder os problemas e defeitos nao é verdadeiro patriotismo mas antes uma ilusória mentira alimentada por uma concepção cega do amor ao pais. O resultado acaba por ser enganador e prejudicial, pois que, as melhorias que seriam preciso fazer, ficam sempre em letra morta, guardadas no papel do preconceito e da recusa em aceitar a mudança. Digo isto a propósito da noticia acima e que mostra uma característica que eu condeno veemente: este, quase vicio crónico, dos portugueses de se acharem muito “finos” e espertos. Trata-se de uma quase malandragem, que nao tendo por vezes mas intenções, parte de uma ingenuidade supostamente benfeitora que acaba por ser negativa no geral.
       Mas de onde parte esta ingenuidade? Da ideia bastante enraizada no povo português de que se o Estado rouba ou engana então o cidadão tem o direito de fazer o mesmo. E isto é feito porque quem o faz pensa que estará a poupar dinheiro e a precaver o futuro. Trata-se de uma falácia, pois que o feitiço acaba por se virar contra o feiticeiro. Quanto mais as pessoas se desviarem dos impostos, menos serão as receitas e por conseguinte maior a probabilidade de haver um aumento daqueles, no ano a seguir, pois que o Estado precisa de receitas e estas nao caem do céu. Ora estes desvios e/ou fugas sao feitos tanto por ricos como por pessoas de menos posses, o que indica que a “tradição” do engano é quase uma norma no nosso pais sem divisão de classes. Todos tentam “enganar” o Estado porque vêem-no como principal causador dos problemas que atravessam, mas também porque pensam que nao tem grande mal nisso. Ora isto, demonstra que parece nao haver um grande sentido de valor moral no português, principalmente no que ao dinheiro toca. O caso da noticia é um bom exemplo, pois que muitas famílias até inventam filhos para pagar menos impostos. No entanto ha que dizer que o próprio Estado tem um pouco de culpa no assunto. Quando se vê um custo de vida muito exagerado em relação ao salário que se aufere, talvez nao seja de espantar o porque de tanta tentativa de enganar o fisco. Isto tanto se diz do Estado como do privado. Em suma, como nao existe muito uma preocupação ética e mais uma ansiedade pelo vil metal, o pais nao avança.
         Esta falta de ética nao é so exclusiva da parte económica nem de Portugal. Nao sou sociólogo mas gostava de compreender esta tendência dos povos dos países do sul para enganar o próximo, mesmo que por boas intenções. Por coincidência sao esses mesmos países (excepto a Irlanda) que agora enfrentam uma grave crise que pode mesmo por em causa o Euro. Ora muita gente critica as chegadas da Troika, o que eu também sigo, mas por outro lado penso que foi necessário e os resultados estão à vista. Veja-se como neste exemplo concreto, começou a haver maior fiscalização por parte do governo porque a Troika exigiu e de repente os filhos falsos diminuíram. E graças às exigências da Troika, têm sido descobertas varias omissões, contas mal feitas, desvios, etc. A verdade é que ela obrigou os países do sul a prestarem mais atenção às suas finanças e a controlarem melhor as despesas e neste aspecto pode-se dizer que esta a ter um papel positivo.
       A verdade é que ela própria nao seria necessária, se nao houvesse uma tao grande corrupção que tem invadido como um polvo, os países do sul e parece fazer parte deles. E portanto também nao seria necessária tanta austeridade. Mas as pessoas nao vêm isso e continuarão muito provavelmente a tentarem omitir ou desviar valores dos impostos.

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5 thoughts on “Falsa sensação de poupança!

  1. Salam, Bruno.

    A crise na Europa está cada vez pior, não? Preocupo-me por Portugal, mas sobretudo, com a Grécia, que nesses tempos difíceis deixou vir à tona um partido “nazista”, seguindo a velha história de sacrificar alguém pelo erro de outros…
    O Brasil tem perigosos corruptos…mas vejo o povo reagindo, denunciando. (fato bem recente na história)
    Haja esperança e coragem para mudar o que tem de ser mudado.

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  2. Olá Denise e Bruno!
    Amei o texto, escreve tão bem…E amo Portugal (é a criatura adorando o criador).
    Este “cabo de guerra” entre o poder público e o privado, aparentemente há por toda parte.
    A desculpa por cá costuma ser devido ao tamanho do País, contudo na Europa, estes são menores, e mesmo assim a política emperra a economia.
    Como diz a Denise, sendo cidadãos, estamos mais atentos. O aumento da escolaridade, a internet, o empoderamento da mulher contribuíram para que fiquemos alertas.

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  3. Ola

    De facto o que se passa na Grécia é preocupante e lembra os anos 30 na Europa. Enfim, ao menos desta vez nao ha o perigo de haver uma nova guerra mundial. Quanto à corrupção, acho que nao ha pais que nao tenha e em Portugal também tem. Menos do que noutros países mas mais do que o desejado.

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  4. Ola

    Obrigado pelo elogio mas sei que ainda tenho de melhorar muito. Tem razão no que diz embora e falando mais do caso português (nao sei no Brasil passa-se o mesmo) existe uma relação muito forte entre a política e os grandes grupos económicos o que faz com que sejam estes os verdadeiros donos do pais. Portanto o pais pode ser grande ou pequeno, que corrupção, existe sempre. Ja agora, o que é empoderamento, por favor?

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  5. Oi Bruno!
    Empoderamento é quando um determinado grupo consegue (geralmente a duras penas) alargar sua parcela de poder perante uma comunidade, ou de preferência, esbranger para toda a sociedade.
    No Brasil, a mulher está mais “poderosa”, ela consegue hoje adentrar as esferas do poder (embora ainda não o suficiente)!
    Um grande abraço, e até mais,
    Cri.

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