“Geração à rasca”-Um ano depois.

     Faz hoje um ano em que ocorreu uma das maiores manifestações populares desde o 25 de abril! Em Lisboa, por todo o pais e também no estrangeiro,  milhares de pessoas saíram à rua contra a precariedade e a crise e por uma melhoria nas condições de vida. Este protesto foi uma iniciativa do movimento “Geração à rasca” que depois passaria a chamar-se Movimento 12 Março “M12M” e que ainda existe na actualidade. Numa altura em que o pessimismo e o desalento ocupavam a maioria do espaço da juventude portuguesa, um grupo de jovens criou esse movimento com  a intenção de incentivar os portugueses a uma maior participação na política para uma melhoria na democracia. Descontentes com a situação do pais, nao se ficaram pelas palavras e quiseram chamar a atenção para os problemas que a sociedade portuguesa atravessava (e ainda atravessa). A ideia é louvável mas passado um ano o que fica desse dia importante do ano passado? Como disse anteriormente o movimento ainda existe e ainda continua a sua luta; mas a euforia desse dia esfumou-se no tempo e apesar de ainda ter havido manifestações posteriores, nenhuma igualou os números da primeira. E porquê chegou-se a este adormecimento colectivo? Em primeiro lugar a manifestação foi vista como um protesto contra o governo socialista da época e logo que o governo mudou, muita gente achou que já nao havia necessidade de continuar os protestos. Em segundo lugar o movimento da “Geração à Rasca” foi-se aproximando ou foi aproveitado pelo campo da esquerda política em vez de manter uma neutralidade que teria sido muito mais útil. Em terceiro lugar houve a sensação de muita gente que depois dos primeiros tempos de contestação gigantesca, o movimento nao tinha mais nada para dar provocando a desilusão. Em quarto lugar e como acontece em tantas outras ocasiões, o povo português entra depressa em desalento e nao sabe continuar os esforços iniciados. Deixa-se engolir pelo sistema que o vai adormecendo e os poucos contestatarios nao sao muito seguidos ou escutados porque a cultura política nao é muito grande e também porque ha uma tendência de nao-contestação no povo português que so é cortada raramente.
       O movimento “M12M” teve o seu mérito mas certas circunstâncias levaram a que nao atingisse plenamente os seus objectivos. No entanto o facto de continuar a existir é importante para a democracia portuguesa e por isso é importante como forma de valorizar o combate político sem passar pelos partidos.

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