A sombra do radicalismo!

Artigo científico defende como moralmente aceitável a morte de um recém-nascido – Ciências – PUBLICO.PT

Nao venho aqui comentar a noticia em si mas sim a reacção que o artigo de que ela fala, desencadeou e que mostra bem o grau de radicalismo a que se chegou no presente. Por mais polémico que possa ser um artigo nao devia ser uma condição para o extravasamento de violência e de reacções radicais indignas do ser humano. Pode-se nao estar de acordo mas nao se pode ameaçar de morte ou desejar que a autora do artigo arda no inferno como chegou a acontecer. A ciência por ser feita de duvidas e nascer da curiosidade, provoca polémica, mas é através dessa curiosidade que se desenvolve a humanidade e se por vezes o escândalo provocado parece derrubar o conhecimento cientifico muitas vezes acaba este por se sobrepor à cegueira do radicalismo. Galileu e Darwin entre outros também sofreram humilhações e no entanto hoje é por demais evidente que a terra gira à volta do sol e que o homem nem sempre foi como é na actualidade. Nao estou com isto a dizer que o artigo referenciado na noticia seja aceite nos futuros tempos mas a forma como muita gente reagiu nao da lugar a outras interpretações e acima de tudo nao permite a liberdade de pensamento. Cheguei a ler comentários a pedir a destruição da ciência como causa de todos os males no mundo actual. Bom so mesmo uma completa ignorância é que permite comentários destes. A ciência nao vive de verdades intransponíveis e por isso é normal que tenha errado ao longo da sua historia. Mas os benefícios que trouxe foram muito maiores para a humanidade e ao menos nao vive permanentemente no erro e na ignorância como o radicalismo que vive fechado e recusa a abrir-se a novas perspectivas. Razão tem o editor do jornal onde foi publicado o artigo quando disse: “Mais do que nunca a discussão académica e a liberdade de debate estão sob ameaça de fanáticos que se opõem aos valores de uma sociedade livre.” Uma sociedade livre nao significa fazer-se o que se quiser mas significa entre outras coisas debater dignamente o que se passa no mundo sem recurso à exaltação da violência.
Mas vivemos numa época tao conturbada (nao é so crise económica) que o radicalismo esta cada vez mais visível em vários aspectos da sociedade. Assim por exemplo cresce cada vez mais a xenofobia e o pensamento racista. Opiniões contra certas comunidades sao cada vez mais comuns tanto entre o povo como entre as elites. Repare-se por exemplo as inúmeras declarações racistas do ministro do interior francês Claude Gueant. Repare-se também a subida de partidos de extrema-direita em alguns países da Europa como na França, na Holanda, na Itália ou na Hungria. Este o caso mais grave. Ora tudo isto cria um clima propicio a actos violentos contra emigrantes que muitas vezes pagam o erro da generalização. No fundo é dizer que todos os membros duma comunidade sao abertos à violência e ao roubo e por isso é melhor expulsa-los todos ou ataca-los. Mas o radicalismo acontece também entre membros duma mesma comunidade como aconteceu ha pouco no Egipto num jogo de futebol onde morreram inúmeras pessoas so porque nao houve espaço ao debate e o odio acumulado durante muitos anos foi libertado nesse dia trágico. E por falar no Egipto, o radicalismo também existe na religião. Neste caso sao por demais conhecidas as lutas entre muçulmanos e coptas. O pais tem muito espaço para as duas comunidades mas alguns nao aceitam partilhar o espaço com quem é diferente deles. Mas na religião os exemplos nao ficam por aqui. Ficou celebre a reacção dos muçulmanos às caricaturas de Maomé publicadas num jornal dinamarquês. Mais recentemente a descoberta de livros do Alcorão queimados numa lixeira provocou indignação e mortes no Paquistão. No vizinho indiano e também recentemente hindus radicais impediram as filmagens de um filme sobre Bin Laden (o novo filme de Katheryn Bygalow) apenas porque nao queriam a recriação do Paquistão em território indiano. Assim destruíram tudo o que representasse este pais como bandeiras por exemplo. Em Israel judeus ortodoxos atacaram uma menina a caminho da escola apenas porque para eles ela estava vestida de forma ousada e na Europa um teatro em Toulouse foi atacado por extremistas cristãos porque uma companhia encontrava-se la dentro a representar uma peça considerada por eles provocadora em relação a vida de Cristo. Até nas redes sociais é possível ver radicalismo seja por pessoas e comunidades que defendem princípios intransponíveis das suas verdades e por isso nem sequer aceitam diferenças, seja por pessoas que defendem duma forma tao forte as suas convicções que acabam por se tornar radicais mesmo sem se aperceberem. Ja vi por exemplo pessoas a colocarem fotos e vídeos de animais a serem maltratados e a pedirem a morte para os responsáveis. Por pior que sejam os actos nunca devia ser motivo para pedir o fim duma vida. A expansão da violência na internet principalmente as redes sociais é uma das causas do radicalismo e do fundamentalismo que se vive actualmente pois que muitas vezes o homem responde mais com as emoções do que com a razão e reage de forma quente ao que vê.
Como já disse antes, vivemos tempos perigosos e nao so ao nível da crise económica. A crise de valores humanistas faz nascer o ódio e quanto mais se for por esse caminho pior é para a evolução da humanidade. E no entanto ha muita gente que parece nao se aperceber disso.
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