O futuro da Europa

          A Uniao Europeia, quer se queira quer nao foi e é dos maiores feitos politicos, economicos e humanisticos do século XX. Certo que agora com tudo o que se tem passado nos últimos tempos ela tem sido o alvo de todas as criticas ou da extrema-direita que nunca aceitou o desvanecer dos nacionalismos em detrimento duma conjunção de forças ou da extrema-esquerda para quem a União Europeia foi sempre mais guiada por interesses económicos e desiguais do que pela solidariedade e igualdade. E no entanto todo este descontentamento é esquecer tudo o que a Europa ganhou em todos estes anos desde 1957 e a importância da União como um todo que permitiu e permite que os seus países-membros tenham um desenvolvimento maior do que teriam se ela nao existisse. Porque em primeiro lugar e acima de tudo foi para isso que ela foi criada. Para dar força a uma Europa destruída pela guerra e que nao estava em condições de se reerguer se cada pais caminhasse cada um para o seu lado. Certo que também foi importante o papel dos EUA e do plano Marshall mas sem uma estrutura que permitisse uma união de esforços na Europa, esse plano nao tinha tido o mesmo valor. Entretanto a União Europeia foi conhecendo desde a sua fundação varias transformações quer a nível de  Estados, quer a nível de organização e de estruturação. Transformações que foram sempre mais de cariz económico do que político.  A economia foi sempre o principal motor da União e se bem que houve tentativas duma maior união política, estas esbarraram-se sempre na intransigência dum egoísmo nacionalista e do medo da perda de soberania. Mas ela foi sobrevivendo com poucas ou mais dificuldades. Enquanto uma das maiores forças económicas mundiais, enquanto teve lideres que souberam impor uma visão estratégica com futuro para o valorizar da União, enquanto os concorrentes comerciais se limitavam aos EUA e ao Japão, a UE soube disfarçar os seus problemas. Pode-se dizer que por fora era de aço mas por dentro o aço ia corroendo. E o aço foi corroendo tanto que bastou uma crise nascida nos EUA para que a UE atravessasse a sua maior crise de sempre. Chegando ao ponto de se falar até no seu fim. E é essa a situação actual. Uma Europa onde a palavra União tem pouco sentido e onde parece haver varias uniões e nao apenas uma. Ora na realidade isso foi sempre mais ou menos uma característica da UE disfarçada pelo seu sucesso como um todo. E se em certos aspectos era algo conhecido de todos ( por ex: a divisão entre paises desenvolvidos e menos desenvolvidos) noutros aspectos era uma divisao mais social, mais comportamental, menos perceptível. E a crise actual despertou esta divisão para níveis nunca antes vistos. Os países mais ricos acusando os países pobres de despesismo, falta de rigor e de organização e estes a acusarem aqueles de falta de solidariedade e de sentido de união. Desde políticos até ao homem da rua todos criticam os outros e poucos sao aqueles que põem a União à frente dos interesses nacionais. A base económica da União esta em perigo de se desmoronar e se isso acontecer toda a sua estrutura social e política pode ir pelo mesmo caminho. Infelizmente alguns dirigentes parecem nao perceber a importância da UE para a Europa e para o mundo. Para a Europa porque sem ela, esta nao teria a mesma força que tem hoje e para o mundo porque serve de exemplo em como vários países bem diferentes podem unir-se e esquecer as rivalidades antigas que provocaram tantas guerras ao longo dos séculos. Mas actualmente alguns países vivem mais num período dum aumento do nacionalismo, herança dum passado imperialista e colonizador. O primeiro-ministro inglês, David Cameron, afirmou que queria ajudar a UE mas sem por em causa os interesses do Reino Unido. Nicolas Sarkozy e Angela Merkl a braços com eleições proximamente olham mais para dentro do que para o todo da UE. Assim a chanceler alemã já criticou por varias vezes a atitude despesista dos países do sul e afirmou que o povo alemão nao podia estar sempre a ir em socorro dos Estados em dificuldade. Também o presidente do Banco Central Alemão disse que certos países viviam muito do crédito, incluindo Portugal. Quanto ao despesismo e ao viver do crédito nao deixam de ter razão mas o olhar so para dentro acaba por nem beneficiar a UE nem a própria Alemanha. Porque convenhamos que nenhum Estado-membro tem condições de fazer concorrência sozinho contra os gigantes económicos mundiais. Nem mesmo a Alemanha, por muito que o seu povo seja trabalhador, por muito que a sua economia seja dinâmica e por muito que seja dos países mais ricos do mundo. Agora também é certo que as coisas nao podem continuar como estão. Tenho a certeza de que nenhum pais quer o fim da UE mas o problema é que cada um a quer à sua maneira. E quando cada um vai para o seu lado acaba por nao haver União. Torna-se necessário entrar numa união mais política, numa espécie de federação. Alguns dizem que isso seria o fim da soberania nacional dos Estados. Nao é bem assim. Nao é por haver uma maior uniao e um maior federalismo que Portugal deixa de ser Portugal, que a Espanha deixa de ser Espanha e assim por diante. Enquanto a UE tiver uma estrutura supostamente independente mas na realidade comandada pelas nações mais ricas as coisas nao podem funcionar na sua plenitude. A UE tem tudo o que é preciso: uma bandeira, um hino, uma moeda e mais importante: organismos que regem os tratados e salvaguardam a sua aplicação bem como organismos responsáveis pela organização económica, política e judicial. Como exemplos podemos referir a Comissão Europeia, o parlamento europeu, o conselho europeu, o Tribunal Europeu de Justiça, o Banco Central Europeu, etc. Ora o ideal seria que todos estes organismos fossem realmente independentes e tivessem um poder acima dos poderes nacionais mas apesar de na teoria e de em alguns casos na pratica ser assim, a realidade nao é tao linear como parece e os interesses nacionais acabam por se sobrepor muitas vezes aos interesses europeus. Depois ha as questões da igualdade, da solidariedade, do poder económico se sobrepor ao interesse político mas isso sao já temas para outras conversas. O mais importante é por agora chamar a atenção para o perigo do fim da Uniao Europeia e as suas consequências desastrosas para o futuro de cada Estado-membro.
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