Os direitos humanos acima do radicalismo!

      Para quem nao conhece, esta senhora da foto acima chama-se Jeannette Bougrab e é secretaria de Estado da juventude do governo francês. Ela também é francesa de origem argelina e foi muito falada esta semana por causa duma entrevista dada ao jornal “Le Parisien” onde diz que nao ha islamismo moderado. Essa entrevista pode lê-la aqui (entrevista Jeannette Bougrab). Eu, porque guio-me mais por convicções humanitárias do que ideologias políticas e porque nao tenho problema nenhum em concordar com alguém que nao é da minha família política quando penso que esse alguém tem razão no que diz, posso dizer que estou de acordo com quase tudo com o que a senhora Bougrab diz. E felicito-a pela coragem em dizer verdades que muita gente conhece mas tem medo de dizer por causa da intolerância do islamismo mais extremista. Mas passo a seguir a um pequeno comentário sobre esta entrevista que deu tanto que falar e criou polémica. Polémica na minha opinião incompreensível. 
        Ela diz por exemplo “…que nao ha Charia “light”. Sou jurista e podemos fazer todas as interpretações teológicas, literais ou fundamentais  que quisermos mas o Direito baseado na Charia é necessariamente uma restrição das liberdades, especialmente da liberdade de consciência.” Eu nao podia estar mais de acordo. Posso dizer que nao conheço tudo da religião muçulmana e que já me disseram que a Charia é um guia para uma vida boa e isenta de erros mas como nao concordar com Jeannette Bougrab quando a Charia esta sempre ligada à violação dos direitos humanos especialmente dos direitos das mulheres? Deixo aqui dois exemplos do que a interpretação literal da Charia provoca mas de certeza de que ha mais historias tristes e incompreensíveis como estas: Mulher violada obrigada a casar com violador e familia atacada por recusar dar filha em casamento. 
       Depois Jeannette Bougrab também diz: ” Os presidentes egípcio e tunisino tinham agitado o pano vermelho dos islamistas para obterem o apoio dos países ocidentais mas era necessário nao cair no excesso inverso.” Aqui também concordo com ela. Como já falei noutros artigos a “primavera árabe” esta a transformar-se num “inverno árabe” pois que a democracia tao reivindicada esta lentamente a desaparecer debaixo duma capa de islamismo moderado como esta a acontecer na Tunísia onde as mulheres tinham mais direitos no tempo de Ben Ali do que na actualidade. Eu ainda ponho o beneficio da duvida aos partidos islamistas moderados mas quando se vê historias de professoras que foram expulsas de escolas por nao irem de cabeça coberta entao torna-se mais difícil aceitar que sejam mesmo partidos moderados. E por isso parece que os países da “primavera árabe” estão a sofrer uma passagem de ditaduras políticas para ditaduras religiosas. Portanto passagem de um excesso a outro, como ela muito bem disse. 
      A seguir ela também diz que nunca apoiara um partido islamista em nome de todas as mulheres que já morreram ou foram atacadas por nao usarem véu. Bem, é uma oposição perfeitamente aceitável pois que cada pessoa, seja homem ou mulher, deve ter direito à liberdade de consciência individual e poder escolher o que é melhor para ela própria. 
        Como disse no inicio somos de famílias políticas diferentes. Ela de centro-direita, eu de centro-esquerda mas quando leio historias abomináveis de mulheres mal tratadas nao me importa a política mas os direitos humanos violados e nesse aspecto nao compreendo como é que alguns esquerdistas radicais podem defender islamistas apenas porque ambos têm como inimigo o suposto “imperialismo” americano? Isto é, dizem defender os direitos humanos mas preferem tapar os olhos quando as verdades sao evidentes e esquecer aquilo que dizem defender.
        Também Jeannette Bougrab abriu os olhos a muita gente e disse o que muita gente precisava de ouvir. Se bem que os radicais, sejam quem forem, é quase como falar contra paredes. Mas na minha opinião o problema principal do Islão é que nao se desenvolveu, nao acompanhou os tempos. O Islão mais radical ainda vive numa espécie de inquisição que nao tem nada a ver com os tempos em que vivemos. Vive ainda numa interpretação demasiado literal dos textos sagrados quando a maior parte destes sao para serem lidos duma forma simbólica. Por isso para os talibans e outros o mundo nao avança. O mundo é feito à medida do Alcorão e tudo o que esta fora dele é pecado e deve ser exterminado. O Islão radical nao aceita outras realidades porque simplesmente elas nao existem. Agora quando se fala em Islão radical é preciso nao esquecer que quase todas as religiões (excepto talvez o budismo) têm o seu radicalismo. Falando por exemplo do cristianismo sabemos bem como era a vida na Europa durante a Idade Média e no tempo da Inquisição. Mais tarde, pelo menos até ao inicio do século XX, por motivos religiosos mas também sociais  as mulheres nao podiam sair sozinhas de casa na Europa. Em Portugal, no tempo da ditadura as mulheres nao podiam entrar nas igrejas de cabeça descoberta. Mas na actualidade o radicalismo cristão ainda existe, embora em muito menor proporções do que o radicalismo islâmico. Assim nos EUA as seitas religiosas ligadas à extrema-direita têm ainda uma forte presença e ainda ha muitas escolas neste pais onde se prefere ensinar a criação bíblica do mundo do que as verdades cientificas como a teoria do Big-Bang ou a Evolução Natural de Charles Darwin. Em França ha pouco tempo pessoas atacaram um teatro porque neste havia uma peça que punha em causa alguns dogmas do cristianismo: polémica teatral em França. Portanto radicalismo nao é so no Islão. A diferença é que no mundo muçulmano a religião ainda tem uma presença fortíssima e impositora na vida de todos os dias principalmente na política e é por isso que ainda se assiste a muitas restrições. E uma democracia nao pode ser verdadeira quando os direitos humanos nao sao respeitados. O ideal seria nao existirem partidos islamistas ou partidos de ideologia crista porque a religião deve ser uma escolha pessoal e nao uma imposição vinda duma comunidade. Ha pessoas no mundo arabe que lutam contra esta visão ditatorial da religião e pedem mais democracia. Na actualidade parecem estar a perder essa luta mas talvez que no futuro finalmente tenham a vitoria merecida e entao seja possível uma mulher poder casar-se com quem ama ou as minorias religiosas serem deixadas em paz pelos radicais. 
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