Os males da desunião.

NATO descarta possibilidade de intervir na Síria – Mundo – PUBLICO.PT

Um de uns erros frequentes que se vê em comentários sobre noticias de intervenção no estrangeiro é justificar certas decisões dos Estados ocidentais com “interesses” económicos esquecendo o ordenamento legal das relações internacionais. Este caso da Síria é bem demonstrativo disto. Houve gente que disse que como nao ha petróleo na Síria entao a NATO nao invadiria o pais como fez na Líbia. Bom importa primeiro dizer que na Líbia a NATO pode intervir porque no Conselho de Segurança da ONU ninguém se opôs e segundo o mesmo nao aconteceu na Síria porque a China e a Russia sao contra. Ora uma decisão so pode ser aprovada na ONU se nao houver veto da parte de nenhum membro permanente do Conselho de Segurança e como a Russia e a China pertencem a esta categoria entao os outros Estados nada podem fazer. Portanto é devido a uma situação de interpretação da Carta das Nações Unidas e nao por caprichos de certos Estados que certas decisões nao sao tomadas como deviam ser. Alias a única altura em que houve consenso na ONU foi quando Gorbachev esteve no poder. E porquê? Porque também foi a única altura, junto com a época de Boris Yeltsin, em que houve democracia na ex-URSS e depois Russia. Foi com Gorbachev que pela primeira vez houve uma aprovação consensual no Conselho de Segurança da ONU quando se aprovou a operação “Tempestade no Deserto” para libertar o Kuwait do Iraque em 1991. Antes e por causa da guerra fria havia sempre o veto ou por parte da ex-URSS ou por parte dos EUA. Certo que houve invasões e guerras como o Vietname ou o Afeganistão mas no tempo da guerra fria vivia-se numa espécie de balança em que cada superpotência procurava sobrepor-se à outra mas sem desequilibrar demais a balança com o risco de por em perigo a humanidade. E por isso a ex-URSS e aliados condenavam a invasão do Vietname por parte dos EUA na ONU mas sem passar de protestos diplomáticos e o mesmo fez os EUA em relação à invasão do Afeganistão por parte da ex-URSS.
O que se passa actualmente é no fundo uma espécie de renascimento da Guerra Fria agora com mais um participante que é a China. Isto é depois daquele momento em que se pensava assistir ao triunfo da democracia e por conseguinte o fim da Historia como dizia Fukuoyama, houve um retrocesso nas Relações Internacionais por culpa principalmente de 3 factores: em 1° lugar a presunção dos EUA que pensou que podia impor o seu poder ao mundo e tomar decisões unilateralmente; em 2° a mudança de poder na Russia que de um pais democrata no tempo de Gorbachev passou a um poder centralizado e muito pouco democrático dividido entre os senhores Putin e Medvedev; finalmente o 3° factor foi a subida da China nos últimos anos, muito por culpa da ganância ocidental diga-se e que fez com que a balança das superpotências volte a ficar quase equilibrada, agora nao entre os EUA e a ex-URSS mas sim entre os EUA e a China com a Russia a tentar recuperar o orgulho perdido.
Na verdade estes 3 Estados têm uma influência enorme no tabuleiro das Relações Internacionais e nada é decidido sem eles. Por isso é com tristeza que se assiste a certas situações onde deviam ser tomadas decisões urgentes como é o caso da Síria e nao sao porque esses 3 Estados nao se entendem quanto ao que deve ser feito ou têm “interesses” estratégicos ou económicos. Por isso as rivalidades sao prejudiciais ao avanço da humanidade. Infelizmente os povos sofrem muito.
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