Nem tao gregos nem tao portugueses!

       Ha na actualidade dois países europeus que sao tomados como exemplos nas varias conversas e debates sobre a crise europeia. Um  é Portugal, o outro é a Grécia. O primeiro tem sido visto como um bom exemplo de implementação das medidas enquanto que o segundo é considerado o mau aluno da Troika. O governo português nao so implementa as medidas da Troika como toma ele próprio medidas para lutar contra a crise. Ja o governo grego algemado pelo clima de tensão e sem muita margem de manobra tem recusado a implementar o que a Troika pede. Estamos aqui portanto com dois países com atitudes opostas no que concerne à ajuda da União Europeia.
        Agora o que é positivo e negativo nas reacções de ambos os países? Comecemos pela Grécia. A Grécia pais que ao nível de vida andou sempre equilibrado por comparação com Portugal sofre agora uma enorme crise, muito mais grave do que a crise deste e que até pode por em perigo o Euro. Tal como em Portugal, andaram a viver durante muitos anos acima das suas posses, desenvolveram o pais ao nível de infraestruturas (jogos olímpicos 2004) mas esqueceram-se de combater a corrupção, fizeram mudanças de fachada mas o mais importante ficou por fazer. No caso grego como no português a produtividade nunca foi muito elevada, a educação nunca foi levada muito a sério e os direitos foram sendo cortados muito lentamente para que nao se desse muito ao reparo. Agora no fim desta comparação o que podemos dizer do caso grego? Primeiro é que como alguns políticos já disseram nao se pode comparar a situação grega com a portuguesa. Fazê-lo é forçar ao erro e querer nao ver o que esta bem e o que esta mal. A corrupção na Grécia é tao grande que aceita-se e compreende-se as inúmeras manifestações que invadiram as ruas de Atenas e outras cidades. Tal como em Portugal, a economia grega podia estar muito melhor mas nao esta por causa de problemas tao intricados na sociedade que a própria classe política parece ter dificuldades ou falta de vontade em combater-las. Em Portugal, ao menos algo vai sendo feito mas vamos já la. Voltando à Grécia, ninguém gosta de austeridade e a bem dizer a verdade o haver so planos de cortes nao é benéfico tendo em conta principalmente onde sao aplicados. Mas ao que parece o governo grego nem faz os cortes necessários nem as melhorias reivindicadas. O que é que ele ganha com isso? Talvez proveito eleitoral e o fim da tensão social. Repare-se alias que a comunicação social já nao fala muito nos protestos gregos como antigamente. Mas a longo prazo os problemas de fundo continuarão e custarão no futuro talvez mais austeridade ao povo helénico.
          Agora falando de Portugal, vimos já que tem coisas em comum com a Grécia mas teve uma forma diferente de as abordar. Porque é que Portugal é considerado um bom aluno? Porque ao contrario da Grécia, vai aplicando algumas medidas de austeridade bem necessárias como por exemplo a extinção ou união de instituições o que além de originar poupança também origina mais probabilidade de descida de corrupção. O problema no caso português é que ouve-se muito em medidas de austeridade mas nao se ouve tanto em medidas de desenvolvimento para o futuro do pais. Tal como na Grécia é necessário fazer mudanças de fundo, incentivar ao crescimento da economia e melhorar na educação e formação. Se nada disto for feito entao o plano de austeridade nao leva a nada a nao ser a um futuro plano de austeridade ainda pior. Assim Portugal é bom aluno mas apenas no interesse das grandes potências europeias como a França ou Alemanha. Isto é seria muito melhor aluno se o governo português nao se virasse so para o lado de fora mas também olhasse para dentro. Isto é, é verdade que o dinheiro da União Europeia é necessário. So os sonhadores é que podem pensar que nao precisamos da ajuda externa e que nao ha dividas para pagar.  Torna-se portanto haver cortes e medidas de austeridade. O problema principal nao provêm tanto disso mas da extrema dependência do sistema estabelecido. E para mudar o sistema é necessário separar o que esta bem do que esta mal. Por isso nao se pode manifestar-se so por manifestar-se e criticar sempre o poder so por criticar. Afinal nao estamos ao nível problemático da Grécia. E se as coisas continuarem como estão em ambos os países a probalidade da Grécia piorar é muito mais elevada do que em Portugal.

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2 thoughts on “Nem tao gregos nem tao portugueses!

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