A Banalizaçao da violência.

        Nao é segredo para ninguém que assistimos na actualidade a uma banalizaçao da violência cujas consequências ainda nao estao bem estudadas e as repercussoes nao estao bem apreendidas na consciência colectiva. Ja muito se escreveu, muito se debateu, muito se reflectiu e também ja houve teorias, ideias e pensamentos. Tudo para tentar explicar e comprender o fenomeno do crescente aumento da violência e das dificuldades em trava-la. No entanto parece-me que a violência entrou de tal modo na nossa casa que os especialistas esquecem o crescente fenómeno da sua banalizaçao. Isto é, a violência começa a estar tao presente que muita gente nem toma em conta o perigo do seu exagero e as consequências desse exagero na construção da sociedade. Todos os dias aparecem noticias de casos violentos que provocam reacções de espanto e muitas vezes de incredulidade e de pessimismo no futuro. Por exemplo em Portugal houve ha pouco uma agressão de uma miúda por parte de outras miúdas que foi filmada e exibida na internet. Noutro caso, este na França, uma miúda de 12 anos foi assassinada a murro por um miúdo de 13 anos numa escola. A questão impõem-se? Como foi possível chegar a este ponto? Como foi possível chegar a este nível de violência gratuita onde até crianças se agridem muitas vezes de forma brutal? Ha muitos anos, correu mundo um caso na Inglaterra de 2 crianças que tinham raptado e morto uma outra. Na altura houve um sentimento enorme de incompreensão e muito se questionou sobre as razoes desse acto e sobre a relação entre a violência e as crianças. Hoje, casos como esse ainda sao raros, mas cada vez que se abre os jornais lê-se muito casos parecidos. Historias que deviam fazer reflectir uma sociedade. No entanto, o que se vê? Muita tristeza, muita raiva mas também um desinteresse pelo que se passa. Da a impressão que ha uma resignação como se tudo isto fosse normal ou se as pessoas tivessem desistido de tentar lutar com estes fenómenos crescentes. Este fenómeno crescente da violência recorda-me por vezes aqueles livros de banda desenhada onde mostram uma sociedade no futuro, cheia de violência, de jovens nas ruas sem valores, ruas cheias de sujidade, sociedades sem organização, completamente anárquicas. Nao quero ser pessimista, mas por vezes pergunto-me se nao estaremos a caminhar para uma sociedade assim. Nao vou estar aqui com uma analise das causas porque como já disse no inicio, já ha muita gente que fez isso mas falta uma verdadeira vontade em compreender e lutar contra essas causas. Eu nao sou especialista em sociologia ou psicologia mas parece-me que combater as causas pelo lado dos meios de comunicação nao sera a melhor forma. Isto é, todos sabemos o perigo que representa o crescente nível de violência dos jogos de computador, da crescente violência nos filmes e muitas vezes nestes casos é uma violência completamente desnecessária. Na internet assiste-se a um aumento de casos filmados de violência. Com o nascimento dos sites de reprodução de vídeos nasceu também a tentação de se filmar cenas de vários géneros com o propósito de ou se tornarem populares ou de atacarem pessoas indesejáveis. Neste caso, por vezes pode-se ver vídeos de pessoas a serem atacadas fisicamente ou entao vídeos de jovens a serem denegridos na sua personalidade (o que se pode considerar um exemplo do triste e gravíssimo fenómeno de bullying). Por exemplo nos EUA uma rapariga suicidou-se quando soube que o ex-namorado tinha posto um video dela a fazer um strip na internet para que todo o mundo visse. Tudo isto é muito preocupante mas o que faz com que certas pessoas sintam prazer em atacar outras? Os jogos e a internet pode influenciar, assim como que a televisão ou certos jornais e revistas de qualidade duvidosa mas o principal problema parece-me estar nas próprias transformações negativas que a sociedade ocidental tem sofrido. Isto é, as crianças estão cada vez mais tempo sozinhas, nao ha uma transmissão de valores, de respeito, de exemplos positivos de vida. A sociedade actual vive mais num modo materialista, por vezes mais egoísta. A palavra “sociedade” parece estar esquecida no dicionário actual, os gestos de respeito e simpatia parecem estar guardados. Os jovens nao aprendem o valor do trabalho, da educação, do altruísmo, da felicidade em ajudar os outros. Passam a maior parte do tempo a jogar jogos que nao têm nada de útil ou a ver coisas desinteressantes na internet. E aqui esta o que importa dizer: nao é o facto de jogar que forma mentes problemáticas mas a forma de os jogar e ver. O jogar em si, nao é problema se o jovem souber distinguir a ficção da realidade e ter consciência de que aquilo que esta a ver nao pode passar para a realidade. E como ja disse anteriormente, a menor companhia dos pais ou dos avos pode ser uma causa fundamental da problematizaçao dos jovens. Claro que isto também nao se pode generalizar na medida em que nem todos os pais e avos sao bons exemplos para os seus filhos e netos. Agora o que importa é o seguinte: até quando continuaremos a assistir ao aumento da violência gratuita sem que nada se faça? Sera que ha um interesse real em combater este fenómeno?  Uma coisa é certa, se repararmos na sociedade dos anos 80, vemos que havia mais solidariedade e respeito. Nao quero com isto parecer negativo nem transmitir uma sensação de pessimismo; penso que é possível mudar as coisas porque afinal nem tudo é assim tao mau, mas é preciso que a sociedade tome consciência de que nao se pode substituir o valor da amizade pelo egoísmo materialista. A violência so poderá descer quando houver mais respeito e solidariedade. Importa também fazer uma referencia às redes sociais. Obviamente que elas em si nao sao violentas mas o facto de hoje em dia haver mais reuniões virtuais do que reais nao sera mais um factor negativo para esta cada vez mais crescente falta de solidariedade, de interacção? Afinal uma noite a conversar na internet nunca poderá substituir uma festa com os amigos. No fundo a sociedade moderna assenta muito num falso sentimento de felicidade quando na realidade o factor humano encontra-se em risco. E é esse factor humano que importa realçar. Esperemos que nao se perca mais tempo.

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