A falta de bons lideres, a crise pessimista e os que espreitam.

      Nunca a Europa esteve numa crise tao grande como nestes tempos que correm. A Europa dos direitos sociais, das vitorias da democracia, do desenvolvimento industrial e tecnológico atravessa agora uma grave crise económica e por consequência uma crise social. Evidente,  nem todos os países sao atingidos da mesma forma mas a Europa toda acaba por sofrer as consequências. E por causa desta crise, prevê-se que a recuperação da economia seja lenta; muito lenta nalguns casos. Tudo tem acontecido como se fosse uma cadeia de acontecimentos, onde as coisas se seguem umas às outras e sem que o poder politico tenha a força suficiente para contrariar esta descida abrupta do alto da montanha-russa. Desde o caso “Lehman Brothers” até à actual crise do euro o mundo ocidental tem conhecido problemas e mais grave ainda, falta de soluções ou pelo menos tentativas de os resolver. Tudo tem-se passado como se fosse irreversível, num destino ao fim do Euro e ao inicio do fim da supremacia económica do mundo ocidental, principalmente da Europa.  As crises grega, irlandesa, espanhola e portuguesa; o perigo de contagio à Itália (que é uma das 8 principais economias do mundo); os desentendimentos entre os países da União Europeia em relação ao modo como resolver essas crises; a falta de união no seio da União; a concorrência feroz dos mercados emergentes, principalmente o chinês; as mas previsões das agências de rating e as suas nefastas consequências; a falta de mudanças estruturais nos países mais atingidos pela crise (como por exemplo o combate à corrupção na Grécia ou a falta de produtividade em Portugal); o problema da divida externa norte-americana e o perigo que o incumprimento por parte dos EUA acarreta em relaçao à economia europeia; tudo isto e mais outros factores têm provocado uma sensação de impotência, de pessimismo, de descredibilidade politica e económica. E isto leva-nos a uma pergunta fundamental: Estaremos a assistir ao inicio do fim de uma Era? E por esta Era entendo como aquela do domínio das potências ocidentais (principalmente os EUA) a todos os níveis desde o fim do século XIX até à actualidade. A pergunta pode ser um pouco alarmista e o pessimismo nao é palavra boa num blogue com o nome que este tem, mas estar atento e tentar prevenir o futuro, olhando para o passado pode ser útil e eficaz para ultrapassar a crise.
         Se olharmos para a Historia mundial verificamos que os grandes impérios terminaram devido a factores externos ou/e internos. E que estes factores internos tiveram quase sempre a ver com a incompetência dos seus governantes. Assim por exemplo  os últimos imperadores do império romano eram fracos, sem sentido de responsabilidade, sem vontade de lutarem; o império azteca terminou porque o seu ultimo líder Montezuma acreditou que Hernan Cortés era o principal deus da mitologia azteca; o império português nunca mais foi o mesmo depois do erro craso de Alcacer-Quibir e os sonhos de gloria insensatos do rei D. Sebastião; finalmente os lideres da Europa pré-I guerra mundial perderam-se em disputas coloniais e comerciais, provocando um mundo de rivalidades que deram origem ao primeiro grande conflito mundial e como consequência à ascençao dos EUA como principal potência mundial. Haveria mais casos para exemplificar mas estas já sao suficientes para dizer que grandes lideres fazem sempre falta onde quer que seja. E neste momento a Europa atravessa uma gravíssima crise de lideres capazes de a pôr no bom caminho e de enfrentar as dificuldades sem medo de possíveis derrotas eleitoralistas. Neste momento quase toda a Europa é governada por políticos populistas, peritos nos meios-de-comunicação que baseiam o seu sucesso nos discursos facilistas do combate à imigração, do orgulho nacional, dos interesses nacionalistas em detrimento dos da Uniao, etc. Incapazes de combater a crise duma forma séria, arranjam estas desculpas e outras mais para justificar medidas em alguns casos populares mas com poucos efeitos práticos, e nalguns casos, até negativos. Como exemplos mais famosos temos o Sr. Sarkozy e o Sr. Berlusconi. Mas também a Sra. Merkel e o Sr. Cameron nao ficam muito atrás. Todos vivem sobre a sombra das respectivas populações eleitorais e do desconhecimento destas em relação à UE. Isto porque, apesar da UE ja existir desde 1957 (nesta altura com o nome de CEE) os povos europeus continuam na sua maioria com um sentimento mais nacional do que europeu (nada contra mas em certos casos, a falta de solidariedade europeia e de sentimento de pertença à UE podem trazer efeitos bastante prejudiciais para todos eles). O caso talvez mais grave é o de Berlusconi. Berlusconi é um líder nascido da comunicação social que foi construindo o seu poder graças ao seu império financeiro e nao graças às suas ideias politicas. Depois de todos os problemas em que anda metido agora esta numa rivalidade com o ministro italiano das finanças. Ministro este que é da confiança dos restantes lideres europeus e que se sair pode agravar a crise italiana e por conseguinte a europeia. Portanto de Itália, nao parecem vir bons ventos e isto porque o seu presidente de conselho é uma pessoa que sabe muito bem cuidar dos seus interesses, mas nao mais do que isso. Agora passando aos EUA. Bom, os EUA têm um presidente que por enquanto nao tem cometido os erros do anterior. Como dizia Gore Vidal: “Pior nao pode ser”. Mas a maioria na câmara dos representantes é republicana e por conseguinte é mais difícildifíceis. Ora sabemos que neste momento ha desentendimentos sobre a politica financeira e económica principalmente no que toca ao pagamento da divida externa. Obama pretende aumentar o limite de endividamento dos EUA mas os republicanos estão contra o fim da isenção de impostos que favorece os mais ricos. E assim defendem o corte nas despesas como por exemplo com as ajudas sociais. O mais certo é no fim ambas as forças politicas se entenderem e por conseguinte os EUA honrarem os seus compromissos até à data limite de 2 de agosto.
       A juntar a esta crise de lideres, temos uma crise de pessimismo que afecta principalmente os países mais pobres da UE. Assistimos a uma espécie de circulo vicioso. A economia nao avança e a crise agrava-se, todos os dias assistimos a noticias sobre as mas notas dadas pelas agências de rating, sobre o aumento do desemprego, das taxas de juro, sobre o fim de empresas, etc, finalmente as pessoas ao verem tudo isto têm tendência para consumir menos, para acreditarem menos na recuperação económica, para emigrarem mais. Conclusão? A economia sente mais dificuldades em recuperar e a sair da fase de depressão em que se encontra. Evidente que o pessimismo nao explica tudo mas uma descida da sua quantidade poderia ajudar e muito ao futuro da UE. Enquanto isto os países emergentes espreitam e vigiam. Muita gente diz que ninguém ganha com esta crise. Têm razão em termos económicos e comerciais. Para a China é mau que os EUA e a Europa estejam em crise, mas também se sabe que o gigante asiático procura tornar-se uma potência mundial. Lembremo-nos que mesmo no período da guerra fria havia trocas comerciais entre os EUA e a ex-URSS. Portanto, nem tudo é negativo para certos países emergentes, principalmente a China. A propósito deste pais, repare-se na ingenuidade do presidente da Comissão Europeia, ontem numa entrevista dada à RTP. Primeiro disse que apesar de a China ser uma das maiores potências mundiais, tinha um rendimento per capita inferior ao português. Até pode ser verdade mas nao sera um pouco pessimista insistir sempre neste ponto quando olhamos para as potencialidades dos dois países? Depois disse que a China precisava da Europa. Algo que concordo como ja disse anteriormente mas no futuro nao precisara a Europa mais da China? Torna-se necessário nao insistir sempre nas mesmas premissas para nao sermos apanhados de surpresa.
    Finalmente três pontos mais optimistas. Em primeiro ponto, as coisas nao estão boas neste momento, mas tal como ha maus lideres, também existem os bons e chegara a altura da Europa ter chefes capazes de lutarem mais pelo futuro imprescindível da União, em segundo lugar a juventude actual é mais participativa, mais consciente politicamente e socialmente e mais crente nas suas capacidades. Preciso é que esses jovens dos “indignados”, do “M12M”, do “15M” e de outros movimentos continuem a transmitir a força e a esperança que tanta falta faz à Europa e que façam os europeus acreditar no futuro. Finalmente o governo chinês tenta aprender com os erros do regime comunista ex-soviético e em vez de se fechar, abre-se economicamente. Isto porque a China nao quer ficar como a ex-URSS, isto é uma grande potência militar mas com graves dificuldades em relação ao nível de vida e em relação aos conflitos sociais e étnicos. A ideia do ponto de vista chinês é boa mas terminemos com uma pergunta: conseguira o governo chinês nao repetir os erros do passado sem que entre numa crise social de repercussões inimagináveis para o pais?

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